"O medo dela me escapar é mais sufocante que qualquer outra dor; eu preciso dela, de sua presença, como a sombra precisa da luz, e qualquer ameaça de perda me arrasta para um abismo que não sei mais se posso voltar."
TOM KAULITZ
A cada dia, as mensagens de Yolanda diminuem. Não é algo repentino , mas sim uma lenta e cruel decadência. Primeiro eram as conversas longas, cheias de detalhes e até risadas digitadas. Depois, vieram as respostas mais curtas, pontuadas por silêncios. Agora, o intervalo entre cada mensagem é tão vasto que sinto como se ela estivesse desaparecendo, pouco a pouco, até que não reste mais nada.
Hoje, ela me respondeu pela última vez às sete da manhã. Sete da manhã. Disse apenas "bom dia" e mais nada. E agora, dez da noite, ainda não ouvi nada dela. Nada além do vazio.
O pânico está aqui, latejando no fundo da minha mente, mas ele não é mais um visitante. É uma presença constante. Um companheiro cruel que me faz questionar cada segundo em que não estou com ela, cada momento em que não tenho a sua atenção.
Pego o celular. Minhas mãos estão frias, suadas. O que devo dizer? Como faço para trazê-la de volta para mim? Não posso perder mais um pedaço dela.
Digito rapidamente:
"Me deixar como última opção não vai fazer com que eu desista de você. Que fique claro que jamais deixaria você."
Envio a mensagem antes que possa mudar de ideia. Agora, só resta esperar. A tela do celular é um abismo, um reflexo cruel da minha própria insegurança. Fico encarando a tela como se pudesse forçar uma resposta dela, como se pudesse trazê-la para mais perto só com o poder do pensamento.
Os minutos se arrastam. Cada notificação que não é dela parece um tapa na cara. Quando o celular vibra, meu coração dispara. É ela. Finalmente.
"Eu estava fazendo companhia para minha irmã. Estávamos assistindo a um filme."
Por um instante, respiro aliviado. Ela respondeu. Mas, logo em seguida, o alívio se transforma em algo mais sombrio. Minha mente começa a trabalhar contra mim, criando cenários que não consigo ignorar.
Agora ela tem uma irmã, uma companhia que consegue fazer o que eu não posso. Uma presença que toma dela o que deveria ser só meu. Sinto o ciúme se enraizar, crescendo como uma hera venenosa.
O pensamento me atormenta: e se aos poucos ela começar a esquecer de mim? Se a irmã, as amigas, o mundo lá fora, forem mais interessantes do que eu? E se eu for apenas uma sombra que ela mal percebe?
Mas, por mais que essa ideia me machuque, a verdade é que eu não consigo esquecê-la. Não consigo e nunca vou. Ela é uma obsessão que não posso abandonar, uma presença que está tão enraizada em mim que me moldou de formas que nem entendo completamente.
Suspiro, encaro o celular mais uma vez. Não sei o que responder. Não sei como fazê-la entender que ela é tudo para mim. Mais uma noite sem dormir se aproxima, mais um ciclo interminável de dúvidas e frustração. Mas uma coisa é certa: não vou deixá-la. Não importa o quanto ela tente se afastar.
Ainda encaro o celular, os pensamentos girando em círculos, cada vez mais escuros e desesperados. Ela não pode não gostar mais de mim. Não pode simplesmente se afastar, deixar de me querer. É impossível. E, no entanto, cada mensagem seca, cada silêncio prolongado, me faz acreditar que estou perdendo o que ainda resta dela.
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Inefável
FanfictionYolanda, uma garota fria com intenções quentes, carrega a lembrança de Tony, seu protetor e amor de infância. Juntos, prometeram ficar juntos quando crescessem, mas Tony desapareceu sem deixar rastros. Anos depois, Yolanda se envolve com Tom Kaulitz...
