Capítulo 52

210 40 71
                                        

"Ela podia tentar negar, me afastar, mas naquele instante, com seus lábios colados aos meus e o corpo cedendo à minha vontade, ela era minha. Sempre foi, mesmo quando jurava que não queria."

Tom Kaulitz

Eu entrei na sala e, imediatamente, meus olhos a encontraram. Ela estava lá, rindo com as amigas, seu sorriso brilhando como se o mundo fosse dela. A forma como ela se movia, como conversava, era como um feitiço, algo que eu nunca conseguiria controlar totalmente. Ela era perfeita. Não, melhor que isso. Ela era a mulher mais linda do mundo. O jeito que o cabelo dela caía sobre os ombros, o modo como ela gesticulava enquanto falava... Tudo nela me puxava para mais perto, como uma força invisível.

Mas eu não consegui me aproximar. Nem uma palavra. Eu me mantive afastado, observando de longe, a dor crescente dentro de mim. Eu queria dizer a ela o quanto ela era incrível, mas palavras nunca saíam de mim como eu queria. Tudo que conseguia fazer era observar, desejar que ela soubesse o que eu sentia. Mas eu nunca soube como dizer. Nunca soube como ser vulnerável o suficiente para ela.

Eu a vi olhar para mim por um breve instante. Não sei se foi por curiosidade ou apenas um reflexo, mas algo dentro de mim se agitou. Será que ela ainda pensava em mim? Será que ela ainda sentia algo? Ela parecia estar bem, rindo com as amigas como se eu fosse uma lembrança distante, mas isso não podia ser verdade. Não era possível que ela estivesse realmente pronta para me deixar para trás. Não depois de tudo o que passamos.

O medo me invadiu. Eu não aceitaria isso. Não a perderia. Nunca. Eu não poderia.

Ela estava sorrindo, parecia tão leve, tão livre. E eu… Eu estava preso em um pesadelo silencioso, lutando contra a ideia de que talvez, só talvez, ela estivesse se afastando de mim. Mas isso não era algo que eu iria permitir. Eu não importava o que tivesse que fazer, não importava como. Eu não iria deixá-la ir.

A verdade é que eu sentia o vazio crescendo dentro de mim. Eu não ia deixar que isso acabasse. Não com ela. Não com a minha garota.

E então, mais uma vez, minha mente entrou no turbilhão, a certeza tomando conta. Ela não ia me deixar. Eu não ia deixar. Eu estava disposto a tudo.

A aula passou, mas, como sempre, eu não consegui prestar atenção em nada. Aquelas vozes ao meu redor eram como um ruído insuportável, uma sintonia de risadas e conversas que me tirava da minha concentração. Mas eu não queria ouvir ninguém, eu só queria ouvir a voz dela. Só queria ouvir o som suave da sua risada, o tom de sua voz, qualquer coisa que me fizesse sentir que ela estava ali, comigo, porque era nela que eu lembrava quando sentia medo no passado.

Cada palavra que os outros diziam parecia um ataque. Cada risada, um insulto. Eu me sentia sufocado, como se o ar estivesse sendo tirado de mim. A sala estava lotada, mas tudo o que eu via era ela. E o resto? Eles eram apenas sombras, vozes desconexas, palavras sem sentido.

Eu queria que tudo isso acabasse, queria arrancar a sala dali e ter ela só para mim, onde ninguém mais pudesse tocar, falar, nem rir. O ódio crescia dentro de mim, uma chama que não conseguia apagar. Eu queria destruir tudo, fazer com que as coisas parassem de ser assim, como se eu pudesse devolver a ordem ao meu mundo, ao meu controle.

Às vezes, a vontade de vandalizar, de fazer algo grande, até uma chacina, passava pela minha cabeça, não porque eu fosse louco ou insano, mas porque o sentimento de impotência me corroía. Eu estava rodeado por ela, mas a sua atenção ainda estava longe. Estava com as outras pessoas, se divertindo, e eu me sentia como se estivesse perdendo ela, como se tudo estivesse escapando pelos meus dedos.

Mas não. Eu não ia deixar isso acontecer. Não enquanto eu estivesse aqui. Eu não ia permitir que nada, ninguém, roubasse ela de mim. E se fosse necessário fazer algo extremo para mantê-la comigo, então seria exatamente o que eu faria. e nada,

Inefável Onde histórias criam vida. Descubra agora