"Você pode sair, mas meu amor por você vai te perseguir."
A tempestade caía pesada lá fora, e as galochas amarelas nos meus pés afundavam nas poças que se formavam no chão lamacento do quintal. Eu estava ofegante, meus cabelos grudados no rosto por causa da chuva incessante, mas nada disso importava. A única coisa que eu conseguia pensar era em Larry.
— Larry! — Gritei, minha voz se misturando com os trovões. Meus olhos vasculhavam cada canto do quintal, mas ele não estava lá.
Tony estava atrás de mim, segurando um guarda-chuva preto, mesmo que isso não adiantasse muito. Ele parecia tão calmo, como se não estivéssemos no meio de um caos.
— Ele não está aqui — Disse ele, quase sem emoção. — Procuramos por toda parte.
Algo no tom dele me irritava. Ele não entendia o quanto Larry significava para mim.
— Talvez ele esteja na frente de casa! — Exclamei, correndo antes que ele pudesse me impedir.
Quando virei a esquina e alcancei o portão da frente, meu coração despencou. Ali estava Larry. No meio da rua. Seu pequeno corpo imóvel, esmagado, com a chuva lavando o sangue que tingia o asfalto.
— Não... não, não, não... — Comecei a murmurar, e então o desespero me atingiu como uma onda. Me ajoelhei no chão, ignorando a lama que manchava minhas roupas e deixei o choro escapar.
Tony se aproximou devagar, abaixando-se ao meu lado. Eu esperava que ele dissesse algo consolador, algo que me fizesse sentir menos partida. Mas, em vez disso, ele olhou para o corpo sem vida de Larry com um interesse quase clínico.
— Nós esquecemos a gaiola aberta — disse ele, como se fosse apenas um fato qualquer.
— Tony! — Gritei, as lágrimas escorrendo. — Isso não importa agora! Ele está morto!
Ele não respondeu. Apenas estendeu a mão, sem hesitar, e pegou Larry. Eu arregalei os olhos, um misto de choque e nojo me dominando.
— O que você está fazendo?! — Perguntei, quase gritando.
Ele segurou o coelho destroçado como se fosse um brinquedo qualquer, o sangue manchando seus dedos.
— Posso fazer algo por ele — Disse Tony, com uma calma assustadora. — Posso tirar os órgãos e empalhar. Ele vai ficar bonito. Você poderá vê-lo todos os dias.
Eu o encarei, boquiaberta. Por um momento, não consegui formular nenhuma palavra. Ele estava falando sério?
— Você é o garoto mais estranho que eu já vi na vida.
Ele apenas deu de ombros, como se minha observação fosse irrelevante.
— Vai querer ou não?
Eu não sabia o que responder. Olhei para Larry, o coelho que eu amava tanto, agora apenas um corpo sem vida, e então para Tony, que segurava aquilo com uma facilidade perturbadora.
— Vamos para a garagem — Ele disse, levantando-se sem esperar pela minha resposta.
Fiquei ali, ajoelhada na lama, olhando impactada, sua face sem reação.
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Inefável
FanficYolanda, uma garota fria com intenções quentes, carrega a lembrança de Tony, seu protetor e amor de infância. Juntos, prometeram ficar juntos quando crescessem, mas Tony desapareceu sem deixar rastros. Anos depois, Yolanda se envolve com Tom Kaulitz...
