"Você pode me odiar, mas meu amor por você sempre será maior que a raiva."
TOM KAULITZ
O silêncio na minha cabeça me irrita. Nunca pensei que fosse dizer isso, mas até o caos de antes era melhor que isso aqui. Porque às vezes... às vezes não é só silêncio. Tem uns ruídos. Coisas que não sei se estão lá ou se sou eu inventando. Como sussurros, ou passos, ou o som de alguma coisa quebrando. Às vezes acho que é ela. Na minha cabeça. Porque eu parei de contar os dias e comecei a contar as noites. Todas as noites têm ela.
Sonho com ela. Sempre. É uma tortura de outro tipo, porque no sonho ela é minha de verdade. Sempre foi. Hoje foi pior. Eu acordei com um aperto no peito. Era ela no sonho, mas não só ela. Tinha... um bebê. O nosso bebê.
Era uma menina. Pequena, delicada, com os olhos dela. Precisava de mim. Não dizia nada, mas eu sabia que precisava. Yolanda também estava lá, e eu... porra, eu acordei com um sentimento de saudade. Saudade de uma criança que nem existe direito fora da barriga dela. Como isso é possível? Nem queria saber disso, desse bebê, quando descobri. Não desse jeito. Eu só pensei em como era errado, em como ela era culpada por isso. Que tipo de idiota faz isso?
Eu. Esse tipo de idiota.
E agora eu fico aqui, tentando lembrar como funciona esse negócio de gravidez. Quantos meses? Quantas semanas? Quanto tempo já passou? Não faço ideia. Devia saber, mas não sei. Não perguntei. Só sei que deve estar crescendo lá dentro. E eu não vou ver.
Eu nunca vou ver.
Porque, se depender dela, eu vou passar o resto da minha vida trancado aqui enquanto a criança dela. – nossa – cresce sem saber quem eu sou. Yolanda nunca vai deixar eu chegar perto. Não depois de tudo que eu fiz.
E, sinceramente? Eu nem sei se ela tá errada.
Mas... o julgamento tá chegando. E talvez seja o dia que eu veja ela. Depois de quase quatro semanas. Sem olhar nos olhos dela, sem ouvir a voz dela de verdade. Porque no sonho não conta. No sonho é um alívio. Aqui fora, é como se eu estivesse tentando respirar debaixo d’água.
Esse é o tempo que me resta para descobrir o que eu vou dizer, o que eu vou fazer. Como se fosse possível planejar alguma coisa. Porque a verdade é que, quando eu olhar pra ela, nada vai importar.
Nada além dela.
E, talvez, a ideia de que tem alguém crescendo lá dentro. Alguém que, de alguma forma doida, já é minha também.
Eu sou um filho da puta. Não tem outro jeito de dizer. Fui eu quem fodi tudo, quem ferrou a vida dela. Mas o pior é que eu não consigo esquecer. Não consigo parar de pensar nela. Eu sou um doente e, mesmo assim, ela ainda está nos meus pensamentos. Se ela decidir seguir em frente... Se ela estiver com outro, eu irei perder a cabeça. Não vou deixar, não vou aceitar. A raiva sobe, me consome, e eu só fico imaginando ela sorrindo pra outro, dando atenção pra outro, enquanto eu... eu fico aqui, perdido nessa merda.
Porra! O que ela pensa que tá fazendo? Ficar sem saber nada dela, sem poder ver o que ela faz, com quem ela anda... Isso me consome de ódio, me destrói por dentro. Eu fico aqui, jogado nessa cama, tentando aguentar a merda do silêncio, mas a raiva... A raiva não sai. Levanto da cama como um animal, e soco a barra de ferro com tudo, o impacto é brutal. A dor na mão é um reflexo, mas a raiva não passa. Não alivia. Grito, sinto a pressão subindo até o pescoço, e sem nem pensar, soco a parede com toda a minha força. O barulho ecoa pela porra do quarto. Olho pra minha mão e vejo o sangue escorrendo.
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Inefável
FanfictionYolanda, uma garota fria com intenções quentes, carrega a lembrança de Tony, seu protetor e amor de infância. Juntos, prometeram ficar juntos quando crescessem, mas Tony desapareceu sem deixar rastros. Anos depois, Yolanda se envolve com Tom Kaulitz...
