"Você me deu a chave do seu coração, e agora não sei mais como viver sem ela."
YOLANDA
O quarto estava mergulhado em silêncio, exceto pelo som suave do celular vibrando em minhas mãos. A tela brilhava no escuro, uma pequena luz em meio à escuridão sufocante que me cercava. Eu encarei aquele aparelho como se ele fosse uma linha tênue entre minha sanidade e o colapso. Tom me entregou esse celular ontem—escondido, como se estivesse me oferecendo um pedaço de liberdade. Mas que liberdade? Aqui, eu não era livre. Não quando Dylan me mantinha presa em sua teia, sufocando cada vestígio da mulher que eu já fui.
Minhas mãos tremiam enquanto meus dedos deslizavam pela tela. O medo de ser descoberta fazia meu estômago se revirar. Eu podia ver, com nitidez cruel, a expressão de Dylan caso me pegasse. A fúria silenciosa, os olhos ardendo como fogo, o veneno escorrendo de cada palavra. Mas, ao mesmo tempo, eu precisava. Precisava me conectar com algo que ainda fosse real.
Tom.
Ele era minha última âncora, meu último resquício de esperança. Ele disse que Megan estava magoada por eu não responder. Eu sabia que estava. Ela sempre foi minha melhor amiga, e agora eu não podia estar com ela. Eu não estava lá quando ela precisou de mim. A culpa era uma faca me dilacerando por dentro. Megan estava em sua lua de mel com Bill, vivendo um sonho, e eu estava presa aqui, vivendo um pesadelo.
"Eu nunca vou me perdoar por isso", murmurei para mim mesma, sentindo as lágrimas queimando meus olhos.
Mas o verdadeiro problema não era Megan.
Era Dylan.
Ele me isolou de tudo. Me afastou de todos. E eu estava começando a aceitar que nunca sairia desse lugar.
O celular vibrou de novo. Tom.
"Nosso tempo está curto, eu vou agilizar, não se preocupe."
Eu sabia que era a melhor coisa a fazer. Mas antes que eu pudesse digitar uma resposta, o barulho de uma porta se fechando ecoou lá de baixo. Meu coração disparou. O ar ficou pesado, sufocante.
Eles voltaram.
Guardei o celular rapidamente na gaveta de calcinhas—o único lugar onde Dylan nunca mexia. Mas, mesmo assim, um frio percorreu minha espinha. O medo de ser descoberta era um veneno gotejando dentro de mim.
Desci as escadas com passos leves, tentando ser invisível. Mas era impossível não sentir a presença deles dominando a casa. Dylan e Lia estavam na sala, conversando animadamente, como se fossem parte de um mundo ao qual eu não pertencia. Como se eu fosse apenas um fantasma vagando ali, insignificante.
Mas o que realmente fez meu sangue ferver foi o sorriso presunçoso no rosto de Lia.
Hoje à noite, ela estaria com Tom.
Ela teria o que eu mais desejava.
— Esse leilão de arrecadação vai ser um saco — Lia bufou, jogando os cabelos loiros para o lado. — Um monte de velhos milionários fingindo que se importam com órfãos enquanto brindam com champanhe.
Dylan riu baixo, balançando a cabeça com desdém.
— A diferença é que alguns fingem, e outros nem isso. Eu só compareço porque esperam isso de mim. Papai insiste nessa merda de "boa postura pública". — Ele ergueu uma sobrancelha e me olhou de soslaio, como se estivesse se divertindo com minha presença. — Tenho que fazer meu papel de homem de negócios exemplar, não é?
Lia revirou os olhos, impaciente.
— Ridículo. Eu preferia mil vezes estar em qualquer outro lugar. Mas pelo menos vai ter gente interessante lá... — Ela sorriu de canto, e o significado do olhar dela não passou despercebido.
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Inefável
FanfictionYolanda, uma garota fria com intenções quentes, carrega a lembrança de Tony, seu protetor e amor de infância. Juntos, prometeram ficar juntos quando crescessem, mas Tony desapareceu sem deixar rastros. Anos depois, Yolanda se envolve com Tom Kaulitz...
