"A presença dele pesa no ar, como uma ameaça constante."
YOLANDA
Pisquei os olhos, sentindo a familiar ardência de uma noite mal dormida. A última coisa que me lembrava era de estar em seus braços, enquanto o choro me consumia. Agora, eu estava sozinha.
Levantei-me devagar, os músculos pesados como se o cansaço do mundo inteiro estivesse em meu corpo. Meu olhar foi atraído para a mesa de cabeceira, onde o buquê de rosas vermelhas e negras repousava com uma elegância sombria. Meu coração deu um salto. Eu ainda me lembrava, não foi um sonho.
Depois de todos esses anos, Tony não havia esquecido o significado do dia 16 de novembro. Senti um nó na garganta ao pegar o buquê. Minhas mãos traçaram as pétalas macias e perfeitas. Havia algo cruelmente reconfortante no gesto. Ele sempre parecia saber o que fazer para me desarmar.
Sentei-me na cama, segurando o buquê, mas minha mente estava longe. Um espiral de pensamentos invadiu minha cabeça, cada um mais confuso que o anterior. Eu não sabia o que fazer sobre esse bebê, sobre tudo. A gravidez não era só um choque; era uma bomba-relógio prestes a explodir minha vida inteira.
Margareth queria que eu resolvesse tudo rapidamente. Sua pressão era sufocante, mas havia algo em mim que não conseguia simplesmente ceder. Apesar do medo, da confusão e da sensação de estar completamente sozinha, havia um fio de ligação entre mim e essa vida dentro de mim.
Olhei para as rosas novamente. Tony poderia ser a resposta. Ele sempre foi minha saída, meu porto seguro, mesmo quando éramos crianças. Com ele, eu sabia que poderia escapar dessa vida que me prendia, dessa família louca que fazia questão de me controlar.
Mas para isso, eu teria que fazer ele acreditar que o bebê era dele.
Passei os dedos pelo buquê, perdida nesses pensamentos. Tony não hesitaria. Eu sabia disso. Ele acreditaria em mim porque sempre acreditou. Ele faria qualquer coisa que eu pedisse, enfrentaria qualquer um que tentasse nos separar. Ele era a única pessoa no mundo que nunca duvidaria de mim.
Tom, por outro lado, era diferente. Apesar de sua presença constante, ele não tinha a mesma força que Tony. Ele nunca desafiaria o mundo por mim, muito menos por um bebê que não sabia ser seu. Essa realidade me atingiu como uma rajada fria, dolorosamente clara.
A lembrança da noite anterior invadiu minha mente, trazendo um calor inesperado ao meu rosto. O toque de Tony, sua intensidade... Tudo nele parecia tão certo, tão inevitável. Meu corpo reagia a ele de um jeito que não podia ser ignorado, como se pertencer a ele fosse uma verdade gravada em mim.
O beijo era profundo, carregado de uma intensidade que parecia impossível de ignorar, como se ele estivesse deixando uma parte de si em mim. Diferente de Dylan, cujo toque sempre pareceu distante e sem peso, Tony tinha uma presença que fazia meu corpo reagir quase de forma instintiva, sem que eu pudesse controlar.
O nosso primeiro beijo juntos.
Passei a mão pelo rosto, tentando acalmar os pensamentos que se desenrolaram rapidamente. Eu precisava pensar no bebê. Não podia deixar que essas emoções me distraíssem da decisão que precisava tomar.
Peguei o cartão que ele havia deixado e o li mais uma vez, deixando que cada palavra gravasse profundamente em minha mente. Ele sabia o que dizer. Sempre soube.
Seguro o buquê contra o peito. O aroma das rosas preenchia o quarto, misturando-se com a lembrança dele.
Se eu quisesse manter esse bebê, Tony seria o único que poderia me ajudar a proteger essa vida. E, por mais que me odiasse por isso, sabia que teria que convencê-lo de que essa criança era dele, mas o Tony que eu conheci por anos, ele faria qualquer coisa por mim, ela aceitaria qualquer coisa.
VOCÊ ESTÁ LENDO
Inefável
FanfictionYolanda, uma garota fria com intenções quentes, carrega a lembrança de Tony, seu protetor e amor de infância. Juntos, prometeram ficar juntos quando crescessem, mas Tony desapareceu sem deixar rastros. Anos depois, Yolanda se envolve com Tom Kaulitz...
