capítulo 74

219 34 57
                                        

"Ela pode tentar fugir, mas o que ela carrega agora é minha marca, e não vou deixar ninguém apagar."

TOM KAULITZ

Estava sentado naquela cadeira fria de metal, ao som dos passos dos guardas ecoando no ambiente. Não esperava ninguém naquele dia. A visita de Yolanda tinha sido o bastante para me manter remoendo mil pensamentos desde então. A lembrança dela, ali na minha frente, me encarando com aquele olhar que oscilava entre ódio e confusão, era como uma faca cravada no peito.

A porta da sala de visitas se abriu, e minha expressão azedou no mesmo instante. Bill. O filho da mãe vinha com aquele andar confiante, o sorriso irritante nos lábios, como se estivesse ali só para me provocar. E, bem, provavelmente era isso mesmo.

Ele puxou a cadeira à minha frente com força, o som estridente atravessando o ar. Sentou-se, cruzando os braços sobre a mesa com um sorriso de escárnio.

— Esperando a bonequinha de olhos azuis, irmãozinho? — Ele debochou, inclinando-se um pouco para frente. — Pois errou feio. Sou só eu.

Rolei os olhos, tentando conter o impulso de me levantar e enfiar a cabeça dele naquela parede suja. Cruzei os braços, a corrente das algemas, tilintando, e mantive meu tom seco.

— O que você quer de novo aqui, Bill? Se for para falar mal dela mais uma vez, juro que eu mesmo te estrangulo com essas algemas até você ficar seco. — Minhas palavras saíram frias, cheias de veneno.

Bill deu uma risada curta e debochada, inclinando-se ainda mais sobre a mesa. Ele apoiou o queixo nas mãos, como se estivesse analisando minha reação.

— Já estou à procura de Kristina, irmãozinho. — Ele disse casualmente, como se falasse sobre o clima.

Meu corpo tensionou no mesmo instante. Kristina. O nome dela era um veneno que corria pelas minhas veias. Levantei o olhar, estreitando os olhos enquanto apertava os punhos sob a mesa.

— Por que diabos você está procurando aquela puta? — Rosnei, tentando controlar a raiva. — Foi ela que destruiu minha vida. A minha e a da Yolanda.

O sorriso de Bill aumentou, como se ele estivesse esperando exatamente essa explosão. Ele fez um gesto com a mão, como quem afasta uma mosca irritante.

— Justamente por isso, Tom. Foi ela que te colocou aqui, não foi? Então... Kristina também vai te tirar daqui.

A insinuação dele me deixou ainda mais irritado. Inclinei-me para frente, o som da corrente das algemas ecoando na sala enquanto eu falava entre dentes.

— Não quero saber de Kristina, Bill. E muito menos quero que você a envolva nisso de novo.

Bill ergueu uma sobrancelha, como se eu fosse um idiota por sequer pensar em argumentar.

— Ah, mas você não tem escolha, Tom. Vou usar cada carta que eu tenho na manga pra te tirar daqui. E, se eu precisar, vou envolver o maior motivo que te colocou aqui.

Yolanda.

Meu peito deu uma pontada só de ouvir o tom casual dele ao mencionar ela. Apertei os dentes com tanta força que senti a pressão no maxilar.

— Deixa ela fora disso, Bill. Agora ela vai ter o bebê. Ela merece paz, porra.

Ele riu de novo, como se eu tivesse contado a melhor piada do mundo.

— Gravidez não é doença, Tom. Ela pode muito bem ser útil nessa jogada.

Me inclinei ainda mais, os olhos cravados nele com uma intensidade que eu sabia que o incomodava, mesmo que ele não demonstrasse.

Inefável Onde histórias criam vida. Descubra agora