Capítulo 31

990 108 104
                                        

"Um homem inquebrável, foi quebrado por uma garota no qual jurou nunca se entregar por inteiro."

TOM KAULITZ

Minha cabeça estava encostada no volante. O motor já estava desligado faz tempo, mas eu ainda não tinha me movido. O silêncio do carro era um alívio temporário, mas não fazia nada para silenciar o caos que ecoava na minha mente.

Elas já tinham descido. Eu fiz o que tinha que fazer, as trouxe de volta, porque ninguém mais parecia capaz de lidar com isso. Agora, só restava a mim encarar mais uma vez o peso de tudo o que eu estava sentindo.

Eu estava me perdendo nela. Yolanda. Cada vez que ela cruzava meu caminho, eu sentia como se algo fosse arrancado de mim. Aqueles olhos azuis... era impossível não pensar neles. Eram um convite e uma armadilha ao mesmo tempo, como se me dissessem que ela sabia exatamente o que estava fazendo comigo.

Mas não era apenas desejo. Não era simples assim. Era mais profundo, mais corrosivo. Algo nela me fazia sentir que eu estava perdendo o controle, e, por mais que tentasse me convencer do contrário, a verdade era que eu não conseguia mais resistir.

Respirei fundo, tentando afastar esses pensamentos. Mas era inútil. Cada respiração parecia trazer de volta aquela sensação de ser usado, manipulado por ela. E, por mais que eu quisesse culpar Yolanda por isso, no fundo eu sabia que era eu quem estava permitindo que ela me destruísse.

Soltei o cinto de segurança e saí do carro, batendo a porta com um pouco mais de força do que o necessário. A chuva fina começou a cair, e as gotas no rosto eram um lembrete frio de que eu precisava me recompor. Caminhei até a porta de casa, já esperando encontrar o mesmo vazio sufocante de sempre.

Mas, ao abrir a porta, percebi que a noite ainda tinha mais surpresas para mim.

Minha mãe estava sentada no sofá da sala, conversando animadamente. Ao lado dela, com aquele ar presunçoso que eu conhecia tão bem, estava ela. Dra. Kristina.

Aquela maldita cadela velha.

Senti meus ombros se retrair instantaneamente.

— O que você está fazendo aqui? — Perguntei, com minha voz saindo baixa, mas carregada de raiva.

Kristina virou a cabeça em minha direção, aquele sorriso falso que ela sempre usava estampado no rosto.

— Boa noite para você também, Tom.

Minha mãe, provavelmente percebendo o tom hostil, interveio antes que a situação escalasse.

— Ela só veio fazer uma visita, querido. Queria saber como você está. Já que não precisou mais dos cuidados dela.

— Não preciso que ninguém venha verificar como estou — Respondi, sem desviar os olhos de Kristina. — E nem se importar com cuidados alheios.

— Sua mãe comentou que você havia conhecido alguém — Kristina disse, ignorando completamente minha hostilidade. — Achei que seria bom ouvir mais sobre isso. Mas, pelo que entendi, não deu certo, não é?

A cada palavra, minha paciência se esgotava mais.

— Não é da sua conta, nunca vai ser! — Respondi, ríspido, e virei as costas, subindo as escadas.

Minha mãe me chamou novamente, sua voz carregada de uma irritação controlada:

— Tom, não seja grosso. Ela só está preocupada com você!

Eu parei por um segundo, mas não me virei.

— Não preciso disso, agora se me derem licença.

Continuei subindo, cada degrau parecendo mais pesado que o anterior.

Inefável Onde histórias criam vida. Descubra agora