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Helena:

Acordei com meus olhos inchados porque fui dormir chorando. Eu estava chateada com o Igor, mas sei que meu choro não foi só por isso; também não sei pelo que mais foi.

Só sei que chorei e agora meus olhos estão inchados e minha cabeça está doendo. Levantei agora às seis da manhã, passei água no rosto e escovei os dentes. Preparei o café da manhã e, assim que estava pronto, o Juninho acordou com a Camile.

Juninho: Bom dia - falou baixo, com a voz de sono.

Mile: Bom dia - sorriu.

Helena: Bom dia - sorri de lado e ele me encarou desconfiado. - Ainda tem alguns pães de ontem, mas não vai dar para todo mundo. Você vai lá comprar? - perguntei ao Juninho, e ele bocejou, balançando a cabeça. - Acho que tem escova de dente lacrada lá no banheiro e o dinheiro está perto da TV.

Juninho: Ih, ala, vai dizer que eu tô com bafo? - ri e saiu da cozinha.

Helena: Quer que eu faça o pão para você agora? - perguntei a Camile.

Mile: Pode deixar que eu faço - sorriu de lado. Balancei a cabeça. - Você está bem? - encarei-a. - Tá com o olhar meio triste.

Helena: Só não consegui dormir direito essa noite, aí estou um pouco cansada. - suspirei.

Mile: Entendo, acho que todo mundo anda com a cabeça cheia. Se precisar de algo, é só falar.

Helena: Vou ficar bem. Acho que só preciso de um pouco de tempo para processar tudo. - falei e, em seguida, escutei o Juninho dizer que já estava saindo.

Preparei meu pão logo e, assim que me sentei para comer, a Camile levantou para levar o prato até a pia e o Igor entrou na cozinha. Com cara de cansado e só de bermuda, deixou visível a sua barriga com um curativo.

Mile: Bom dia - falou, depois de uns longos segundos da entrada do Igor na cozinha, e desviei meu olhar do dele, voltando a comer.

Gavião: Bom dia - falou com a voz rouca, e escutei ele vir em direção à mesa.

Mile: Tô indo para a sala - avisou, e encarei-a.

Helena: Não quer comer mais? - Ela negou, sorrindo de lado, e balancei a cabeça, vendo-a sair da cozinha.

Olhei de volta para o Igor e fiquei naquela de perguntar o que tinha acontecido ou de ficar quieta. Mas, apesar de eu estar um pouco decepcionada com ele, minha preocupação era bem maior.

Helena: O que foi que aconteceu? - Olhei para o curativo na sua barriga e depois para o seu rosto, que já me encarava.

Gavião: Nada demais - arrastou a cadeira e sentou, ficando de frente para mim. - tá melhor?

Helena: Sim. Daqui a pouco vou trabalhar. - Voltei a comer, percebendo que ele fugiu da minha pergunta, e escutei seu suspiro.

Gavião: Minha vida é complicada - começou. - Você entrou nessa já sabendo. Sabe dos riscos que eu corro, que vai ter dias mais complicados que os outros. - Encarei-o. - Não falei com você porque eu estava fugindo da polícia, pô. Estava tentando me manter vivo e manter os que estavam comigo também.

Helena: Eu sei dos riscos, Igor. Eu sei que sua vida não é fácil, que você vive correndo atrás de um monte de coisas... Mas eu também estou aqui. E você não precisa esconder de mim o que está acontecendo. Não precisa ficar se mantendo distante, como se eu fosse só mais uma pessoa qualquer. Eu sou sua mulher.

Lágrimas de ilusão. Histórias para pegar e não largar. Descubra agora