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1 semana depois...

Helena:

O postinho estava incrivelmente lindo. E, sinceramente, ele estava mais para hospital do que para postinho.

Era enorme: laboratório para tirar sangue, sala de Raio X, duas enfermarias, algumas salas de pronto-socorro, sala de parto, berçário, sala de cirurgia.

Estava simplesmente tudo lindo: equipamentos, a arquitetura. Tudo.

Quem olha assim nem imaginaria que esse hospital fica em uma favela. Está simplesmente tudo perfeito. E ainda é de dois andares. Não vou negar, o Gavião caprichou e não teve pena em gastar aqui.

O crime está fazendo mais do que o estado. E olhe que isso era para ser um dever deles.

Ontem, vieram eu, Helô e outras mulheres para fazer uma limpeza aqui para hoje. Fizemos a faxina. Não deixamos um pó.

Ainda estão faltando alguns profissionais, mas, pelo que eu fiquei sabendo, vão vir alguns de Bonsucesso, que é aqui perto.

Antes da inauguração, o Gavião fez uma "palestra", dizendo que fez isso para a comunidade, que queria que todos viessem se consultar e que estava tudo muito melhor do que antes. Ele havia pedido para colocar salas que nem existiam antes, e isso tudo para que nenhum deles precisasse descer para o asfalto para se consultar.

Eu e os outros profissionais que vamos trabalhar aqui entramos primeiro, para que, quando o pessoal chegasse, já estivéssemos lá para receber todos. Quando eles entraram e viram tudo, deram um sorriso tão lindo de alegria. Algumas senhoras se emocionaram, fazendo com que eu também me emocionasse, mas tive que segurar o choro.

Agradeceram ao Gavião e aos meninos do movimento, que ajudaram para isso. Fiquei muito feliz por vê-los felizes.

E hoje, já no primeiro dia, começamos a atender todos que vieram. Alguns mostraram exames, outros vieram para marcar consultas, e outros reclamaram de algumas dores que estavam sentindo. Tinha de tudo um pouco.

Mesmo com um tantão de gente, eu e a galera conseguimos dar conta de todos. Graças a Deus.

Agora já estava de tardezinha, 16:45, e estamos aqui desde às 08:00. Agora que está dando mais uma baixada de gente, mas antes, saía três e chegava dez.

Olhei se tinha mais alguém para vir para eu atender e, como não tinha, me levantei e fui beber um pouco de água. Conversei um pouco com a Maiara, que foi a que eu consegui ficar mais próxima, e foi quando percebemos uma movimentação. Fomos olhar e, quando vi quem era, tirei meu sorriso. O Gavião.

Semana passada, depois de eu falar que não iria mais ficar com ele, ele ainda foi lá dois dias depois, veio com papinho para ficar comigo e eu neguei. E adivinha? Discutimos e ele ainda achou ruim que eu o chamei de rodado. Veio com as ignorâncias dele, como sempre, e eu me estressei mais ainda com ele e falei que não queria mais papo.

E estamos sem nos falar desde então. Só nos falamos uma vez esta semana, quando ele veio me informar o dia exato em que eu iria começar a trabalhar aqui. Mas isso nem vale, já que eu não dei muita brecha para ele.

Gavião: não. Só vim fazer um exame de sangue mesmo - despertei dos meus pensamentos quando escutei sua voz e vi que ele estava respondendo à menina, todo sério.

Revirei os olhos e ele me encarou, ainda sério, com dois seguranças atrás dele.

Helena: vou para a sala - falei para a Maiara, que balançou a cabeça. Virei-me e saí sem olhar mais para ele.

Lágrimas de ilusão. Histórias para pegar e não largar. Descubra agora