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Helena:

Depois de alguns exames, a Gabi foi diagnosticada com sepse pulmonar. A infecção evoluiu para a sepse, o que está afetando mais do que o esperado os órgãos vitais dela.

Durante esses dois dias que se passaram desde que o médico ligou, parece que eu, assim como a nossa família, estamos vivendo no automático, com medo do que possa acontecer daqui para frente.

Ontem, a Gabi teve que ir para a UTI porque a infecção atingiu níveis mais críticos. Ela está mais fraca, começou a perder a consciência das coisas e, quando acorda, mal consegue falar. Hoje, pela madrugada, o médico nos informou que os antibióticos já não estavam mais surtindo efeitos, nem mesmo os tratamentos. Isso porque a sepse se espalhou de forma grave pelos órgãos dela.

Eu estava sentindo uma dor inexplicável e um medo que até então era desconhecido pelo meu sistema nervoso. Eu já não consigo dormir, fico o tempo todo ao lado da Gabi verificando se ela ainda está respirando, com medo de que ela parta.

Mesmo que eu negue, mesmo que eu ainda ore e diga que tudo vai ficar bem e que vamos voltar para casa, eu sei que cada respiração da Gabi pode ser a última.

Hoje era quinta-feira e já estávamos no quarto dia em que os sintomas começaram a aparecer. Ontem, o pessoal veio aqui: a Camile, o Juninho, a Helô e o Igor. Todos nós estávamos reunidos, sentindo um medo fora do comum, mas não querendo demonstrar isso para a Gabi.

A Helô esteve aqui hoje de manhã, conversou com a Gabi, lembramos de quando nevou na ONG e a Helô disse para ela ficar bem logo, que agora só faltavam dois meses para o Natal e que iria ter neve de novo. A Gabi só sorriu, com o semblante cansado, e disse que ela iria estar lá, o que nos fez rir e querer chorar ao mesmo tempo.

Olhei o Juninho passar pela porta e logo atrás dele a Camile, que alisava a barriga que estava de 8 meses. Sorri na direção deles e a Gabi olhou, sorrindo também.

Juninho entrou na sala com aquele sorriso descontraído, como sempre fazia, mas havia algo diferente em seu olhar.

Juninho: Para tudo, pô, que o mais mais chegou! - ele disse, como se fosse uma piada, mas a voz dele não tinha a mesma leveza de antes. Ele fez uma pausa e, ao ver a Gabi, se aproximou dela com cuidado. - Fiquei sabendo que tinha uma baixinha com saudade de mim.

Gabi, com a respiração difícil, tentou se mexer um pouco, tocando a cânula nasal que a incomodava. Era visível o esforço para falar, mas ela ainda conseguiu formar as palavras:

Gabi: Na... não sou baixinha.

Juninho: Ih, ala, não quer ser mais a baixinha do irmão Juninho, não? - ela riu fraca - Tá ficando falsa, pô! Fique sabendo que tu tava cheia dos papos com outras crianças aí, não entendi legal. - Cruzou os braços - Não vou mais te dar sorvete quando sair daqui.

Gabi: Você... - respirou com dificuldade - meu imão preferido... - fechou os olhos e senti meu coração apertar.

Mile: Ele tá com drama, Gabi - falou - muito dramático ele, lembra? - Gabi balançou a cabeça, sorrindo de leve - se ele não te levar para tomar sorvete, a tia leva.

Gabi: E... e o Vini? - sorriu de lado e a Gabi se aproximou mais, segurando a mão na Gabi e colocando-a sob sua barriga.

Mile: Eu, você e o Vini - falou, e percebi a mão da Gabi se movimentar de forma leve na barriga da Camile.

Juninho: Mas tu tem que ficar bem logo, pô. Como é que vai conhecer teu sobrinho? - sorriu de canto - promete aí pro teu irmão preferido que tu vai ficar bem logo. - falou, e percebi o tom da voz dele mudar - se não prometer, é vacilona.

Lágrimas de ilusão. Histórias para pegar e não largar. Descubra agora