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Helena:

Helena: Só faltou a vaca tossir, então - falei, saindo e sentindo ele vir atrás.

Gavião: Mais quinhentos aí. Mas nem vou precisar fazer ela tossir; tu vai ficar comigo de novo sem nem precisar desses bagulhos.

Helena: Bora ver, então - resmunguei.

Homem convencido e ousado. Nunca vi igual.

Helena: E eu falei que nem a vaca tussa. Não que eu iria ficar se a vaca tossisse.

Gavião: Mesma coisa.

Helena: Mesma coisa nada. Acho que a Heloísa está precisando dar algumas aulas para você; tá ficando burrinho. - Abri a porta que dá para o pátio e, assim que abri, senti ele segurar meu braço.

Gavião: Porra, deram pra ficar me chamando de tudo que é animal hoje, né? - falou sério - É cavalo, mula, cachorro e agora burro. - Dei risada - Tá rindo de quê? - cruzou os braços, sério.

Helena: Chegando à conclusão de que todos acham isso de você. Vive dando coice sem necessidade nas pessoas. Parece um velho amargurado. - falei, e ele estalou a língua, resmungando alguma coisa.

Gavião: Do papo que eu ia falar com você, é que você pode vir trabalhar no postinho. Se quiser, posso ver alguma casa para você também. - Cruzei os braços.

Helena: Você só ia falar isso - ele olhou sério - se fosse só isso, não tinha pra que você me levar lá para dentro, era só falar como está falando agora. - Falei e vi um sorriso de quem não presta surgir nos lábios dele.

Gavião: rum, lerdinha, você. Só chamei mesmo pra te pegar em paz; se fosse por aqui, iam atrapalhar.

Abri a boca indignada e, antes que eu falasse alguma coisa, escutamos uma voz chamar por nós.

Gabi: Olha, tio Gavião, olha, tia Lena, eu tirei uma foto de vocês - levantou o celular na nossa direção e o Gavião pegou para olhar. - Gostaram?

Tentei olhar a foto, mas o cavalo brutamonte era mais alto e não deixou eu ver.

Gavião: Não pode tirar foto minha, não, pirralha - falou com a menina e peguei o celular da mão dele, vendo que era uma foto nossa de agora.

Ele estava de braços cruzados, com a cara séria, e eu estava olhando para ele, sorrindo.

Gabi: Desculpa, tio - falou toda sem jeito, e eu olhei feio para ele.

Helena: É que ele é feio, meu amor - me agachei com cuidado na frente dela - ele é tão feio que, se a polícia vê ele, ele vai preso. Por isso, não pode tirar foto dele.

Gavião: Feio. Feio é o caralho - resmungou sério, e eu revirei os olhos, voltando a olhar para a Gabi.

Helena: Além de feio, é um cavalo que não sabe tratar as pessoas bem. Por isso, não pode tirar foto dele, entendeu?

Gabi: De verdade? - perguntou baixo, e eu concordei - mas o tio nem é feio.

Helena: É porque você já se acostumou com a feiúra dele - falei, e ela colocou a mão na boca, rindo, fazendo eu dar risada também.

Gavião: rum - resmungou - presta atenção nessa maluca, não.

Helena: Agora deixa ele para lá e vamos brincar na neve - falei, e ela pulou sorrindo - de quem é esse celular mesmo? - peguei ela no colo e me levantei com cuidado.

Lágrimas de ilusão. Onde histórias criam vida. Descubra agora