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Gavião:

Papo reto, a festa tinha ficado foda pra caralho. A entrada, os bagulhos aqui dentro, os brinquedos para as criançadas, e ainda teve o bagulho dos personagens do desenho, Gabi se amarrou pra caralho.

Todo o dinheiro que foi gasto valeu a pena, mas isso só aconteceu mesmo por causa da Helena que ficou correndo atrás desses bagulhos da decoração e de fazer parceria com esse povo aí de internet. Ficou foda pra caralho, papo reto e quem se amarrou mesmo foi a criançada. Eles nem queriam saber de parar de brincar. O futsabão, o pula-pula, as brincadeiras, os personagens. Tudo funcionando da melhor forma.

Eu tava ali na minha, junto dos caras do movimento em uma mesa mais afastada, ainda observando tudo de longe, mas também curtindo ver a Gabi tão feliz. Nem sou de tá falando esses bagulho, mas papo reto, ela foi uma das melhores coisas que já aconteceram na minha vida, fez eu sentir uns bagulhos que nem eu sabia que podia sentir, até vontade de botar um menor no mundo, a piveta fez eu começar a pensar em querer ter.

Quando eu era menor, antes de acontecer aqueles bagulhos com a minha mãe, sempre tive vontade de ter uns pivetes, pô. Ter um casal, pro moleque cuidar da piveta, e eles crescerem juntos, assim como foi eu e a Heloísa. Mas depois daqueles bagulhos todo, coloquei na minha mente de nunca ter filho.

Eu vi o que meu pai fez com minha coroa, e aquilo foi um estalo que me marcou pra sempre. O cara que deveria me proteger, me ensinar a ser homem, foi o mesmo que matou minha mãe. E eu cresci com isso. Como é que você vai querer ser responsável por outra vida depois de ver o inferno que um pai pode causar?

Mas daí a Gabi entrou, pô. Eu nunca imaginei que essa menina fosse ter esse efeito sobre mim. Quando eu vi ela correndo pra tirar foto com a Ariel, se esbaldando nos brinquedos, eu só pensava: "Eu fiz isso, pô. Eu garanti que ela tivesse isso." E eu, o cara que nunca quis ser pai, que sempre evitava falar dessa parada, me vi ali, querendo ser o melhor pra ela.

Th: a piveta já vai crescer no mimo, pô - falou e eu enchi o copo de uísque, mas nem tava bebendo muito, tenho que tá ligado em qualquer bagulho.

Tomate: eu achava que gastava nas festa do Gui, mas depois dessa festa... - riu - se a festa de 5 anos foi assim, imagina de casamento- encarei ele sério, e vi que ele tava querendo tirar com minha cara.

Gavião: se liga, porra - bebi do uísque -mané casamento.

Loirinho: da pra casar com o Guilherme - falou rindo e encarei ele sério também.

Tomate: meu menor é mais novo, mas não tem nada, não. Idade é só um número.

Gavião: caixão é só uma madeira - olhei para ele - vem com teus papos torto não, caralho.

Ph: playboy fica quieto porque tem logo duas filhas mulher - deu risada e encarei o playboy, vendo ele ficar sério.

Playboy: se fuder, rapá - soltou a fumaça do baseado e neguei com a cabeça.

Olhei ao redor e vi a Helena indo em direção à Gabi. Fiquei encarando e percebi que as outras crianças que estavam ao redor pararam de brincar e ficaram encarando também. Estranhei já no bagulho e bebi o resto do uísque, me levantando da mesa e indo até elas.

Gavião: Qual foi? - Cheguei por trás da Helena e ela se virou me encarando, fazendo eu ter uma visão melhor da Gabi. Foi aí que vi que os dedos dela e a parte de cima da boca estavam melados de sangue. - Qual que é disso daí?

Lágrimas de ilusão. Histórias para pegar e não largar. Descubra agora