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Helena:

Sabe quando o arrependimento bate e você quer surtar de raiva e chorar? Eu estava assim.

Era tudo tão complicado e confuso. Tudo. Nossa relação era maluca, porque ele quer me controlar, quer que eu seja a posse dele, e eu não vou me submeter a isso, a esse comportamento possessivo e meio agressivo dele. Mas, ao mesmo tempo, eu gosto dele.

E eu ter admitido, pela primeira vez em voz alta, que gosto dele acabou pegando tanto ele quanto eu de surpresa. Foi uma coisa que saiu da minha boca sem eu conseguir controlar. E ele ter falado que talvez estivesse gostando de mim também e ainda ter revelado o nome dele me pegou ainda mais de surpresa.

Eu já estava entregue e, depois que ele disse isso, parece que piorou ainda mais. Eu não queria ficar com ele de novo, pelo menos não agora, mas parecia que meu corpo desobedecia a tudo o que minha mente falava.

Tudo entre a gente parecia ser tão intenso. Na mesma medida em que eu queria me afastar, o corpo dele me puxava de volta.

Era uma briga de ego e orgulho, mas também havia conexão, e isso mexia não somente com a minha mente, mas parecia mexer com a dele também.

E eu tinha medo, não vou negar. Tinha medo de mergulhar nisso e acabar me afogando. Talvez ele também tivesse esse receio; a diferença é que ele teria mais força para passar pelas grandes ondas, mas eu não...

Saí do box após terminar meu banho e me enrolei na toalha, saindo do banheiro em seguida e já vendo o Igor na ponta da cama, de banho tomado também e mexendo no celular. Respirei fundo, tentando afastar todos aqueles sentimentos que me rodeavam.

Vesti minha roupa de volta e peguei meu celular, vendo que já era uma da manhã. A chuva lá fora já tinha passado; só estava chuviscando ainda.

Helena: Me deixa em casa? - Cruzei meus braços, olhando na sua direção, e ele me encarou. Depois, olhou para a tela do celular, digitando alguma coisa, e largou em seguida. - Eu realmente estou cansada e preciso dormir.

Gavião: Dorme aqui, eu te levo amanhã cedo. - Suspirei. - Ainda está chovendo. - Ele se levantou, vindo na minha direção, e permaneci quieta.

Eu realmente estava cansada; meu corpo estava exausto do trabalho e eu ainda acabei ficando com ele. Por mais que eu tenha relaxado um pouco, eu só queria dormir.

Gavião: Eu levo antes do morro ficar movimentado - falou, colocando a mão na minha cintura e me puxando para ele. - Já tá tarde.

Concordei, sabendo que ele continuaria insistindo. No final das contas, eu só queria dormir mesmo.

Helena: Antes do morro ficar movimentado. - Reforcei, e ele concordou, beijando meu pescoço e fazendo meu corpo ter a mesma reação de sempre.

Me afastei, deitando na cama, e ele foi desligar as luzes, voltando e ligando o ar-condicionado, deitando ao meu lado.

Helena: Será que o Juninho escutou alguma coisa? - murmurei, e ele me olhou.

Gavião: Se ele escutou, tem que reclamar nada, não. Ele faz a mesma coisa e ainda engravidou a mina - neguei com a cabeça - Tomate tava falando que uma das meninas com quem ele estava se envolvendo era a filha do pastor.

Helena: Meu Deus! A menina que ele engravidou é a filha do pastor? - perguntei assustada. Se a filha do pastor tá assim, imagina as outras.

Gavião: Sei não, pô. Mas ele tava ficando com ela. - Ele me encarou e passou a mão na minha cintura, me puxando para ele - Mas o moleque é sagaz, fala aí.

Lágrimas de ilusão. Histórias para pegar e não largar. Descubra agora