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Gavião:

Gavião: Estava resolvendo uns problemas - falei sério - uma pessoa sumiu há um tempo e eu estava ajudando um parceiro meu.

Fernanda: Um primo meu - parou - até hoje procura uma pessoa que sumiu. - Encarei-a melhor.

Gavião: Deve ser foda, ainda mais se for alguém de quem ele se importa - disse, e ela balançou a cabeça.

Fernanda: Pelo que eu fiquei sabendo, esse primo meu sempre foi apaixonado por uma mulher, só que na época ele era casado e estava traindo a esposa com essa mulher, mas a mulher não sabia que ele era casado e, quando descobriu, foi embora sem avisar.

Balancei a cabeça encarando-a, querendo saber se esse primo é o Carioca ou não.

Gavião: Situação complicada - comecei a bolar um - mas a mulher não estava errada, não. Faz muito tempo que teu primo procura a mulher?

Fernanda: Bem antes de eu nascer. - riu - minha mãe fala que o Carioca sempre foi meio doidinho da cabeça e que o que era só para ser mais uma qualquer das amantes dele se tornou uma paixão que ele não esquece até hoje.

Sorri de lado quando escutei o nome Carioca e passei a mão no rosto. Porra...

Fernanda: Acho que deve ter uns 20 anos por aí. - Continuou - a mulher sumiu e não deixou nenhum rastro. Ninguém sabe se ela continuou aqui pelo Rio ou mudou de estado, mas é quase que impossível ela ter ficado por aqui, já que ele procurou em cada buraquinho.

Gavião: Sabe não o nome dela? - Ela me olhou e pareceu pensar, negando em seguida. - Foda.

Fernanda: Minha mãe já me falou uma vez, mas faz muito tempo e hoje em dia ela nem toca mais no assunto, na verdade, ninguém toca mais.

Joguei o rosto para cima e soltei a fumaça, pensando em como faria para achar essa mulher ou algum familiar dela. Se o velho procura a mulher até hoje, é porque alguma coisa ele ainda sente por ela, e se ele sente, é porque ainda é importante.

A questão mesmo é saber se a mulher está viva ainda.

Olhei para meu celular, vendo a hora e algumas notificações. Estalei a língua ao ver a mensagem do Juninho e desliguei a tela, guardando o celular no bolso.

Gavião: Vou meter o pé. - Levantei e coloquei o cigarro na boca, pegando a blusa e vestindo.

Fernanda: Mas já? - Se levantou também. - Faz nem tanto tempo que estamos aqui.

Gavião: Foda, pô. - Passei a mão no cabelo e tirei o cigarro da boca. - Qualquer bagulho, eu te aciono.

Falei sério, e ela balançou a cabeça, vindo querer me beijar. Virei o rosto, fazendo o beijo dela pegar no meu rosto.

Fernanda: Você vai acreditar mesmo que eu fiquei com outro? - cruzou os braços - Eu só quero você, cara.

Gavião: Pegar baba de ninguém não, pô - neguei com a cabeça - Toma o dinheiro do teu Uber.

Entreguei o dinheiro a ela e saí do quarto do hotel, peguei o elevador e, quando cheguei lá embaixo, balancei a cabeça para o senhor da recepção e saí, pegando meu carro e vendo os menores da segurança virem logo atrás.

Vou tentar descobrir ainda essa semana quem era essa mulher, procurar saber quais eram as mulheres com quem ele se envolvia há 20 anos atrás e qual foi a que foi embora.

Lágrimas de ilusão. Histórias para pegar e não largar. Descubra agora