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Gavião:

Gavião: Tá melhor? - perguntei a Helena, sentando-me perto dela, que estava deitada e enrolada.

Helena: Tá passando mais - murmurou, sem falar muito, e respirei fundo.

Já faziam dois dias que ela estava assim: dor de cabeça, vomitando, e ontem começou a ter febre. Já levei-a ao postinho duas vezes; falaram que era coisa de virose e passaram alguns remédios.

Estou ajudando a cuidar dela e, às vezes, a Heloísa vem aqui também. Não sei como fazer essas coisas direito, mas estou ajudando. Ela ainda está bolada comigo e nem está falando comigo direito.

Era para eu ter ido para a outra favela terminar de resolver as coisas e fazer o baile para me apresentar como o novo chefe e apresentar o Pipo, que vai ficar de frente de lá.

Mas estou deixando essas coisas de lado para ficar aqui cuidando da Helena e esperar que ela melhore, porque ela vai comigo para o baile também.

Meu celular começou a vibrar e olhei, vendo que era o menor perguntando sobre uns bagulhos, e deixei de lado. Até os bagulhos daqui da favela, eu deixei na mão na Tomate para tomar conta. Às vezes, vou lá na boca quando a Heloísa vem aqui, mas nem demoro muito.

Helena: Vai lá, gavião. Vai fazer o que você tem que fazer - murmurou, se encolhendo mais na cama. Estalei a língua, me deitando perto dela e puxando-a para mim, que veio sem querer.

Gavião: Deixa de coisa, pô. - Passei a mão no rosto dela, percebendo que ela estava menos quente - tu que importa agora, esses bagulhos eu resolvo depois.

Helena: Só não vem falar que eu que tô atrapalhando seus bagulhos - me encarou séria e depois fechou os olhos - tô começando a ficar com calor.

Ela se afastou de mim e tirou o lençol do próprio corpo. Vi sua testa começar a suar e passei a mão, sentindo o líquido.

Gavião: Quer tomar banho?

Helena: Daqui a pouco - respirou fundo - só quero ficar quieta na minha.

Balancei a cabeça, sabendo que ela ainda estava bolada, e respirei fundo, tentando não ficar também. Pipo mandou a mensagem, perguntando para quando poderia ser o baile, e respondi, dizendo que eu ainda ia ver esse bagulho direito.

Por mais que hoje ainda fosse quarta, eu tinha que ver se a Helena melhorava daqui para sexta ou sábado. O baile só vai acontecer se ela estiver melhor.

Helena levantou da cama, indo em direção à porta do banheiro sem falar nada, e respirei fundo, me sentindo culpado. Escutei o chuveiro ligar e ela ficou um tempão lá dentro. Estranhei e bati na porta. Entrei e ela estava de costas dentro do box, deixando a água cair por todo o corpo.

Senti um bagulho no peito e me aproximei, abrindo o box, e ela nem se moveu. Entrei de roupa mesmo e puxei-a pela cintura, abraçando-a.

Gavião: Não gosto de te ver assim, papo reto. - Puxei o rosto dela para cima, que me encarou cansada. - Tu é importante pra mim, pô.

Helena: Tô vendo minha grande importância. - Riu sem ânimo. - Não quero discutir, Gavião. - Respirei fundo. - Me deixa quieta, eu já não tô bem e não quero me estressar mais.

Tentou se afastar e eu neguei, puxando-a de volta e segurando o corpo dela contra o meu. Respirei fundo, olhando nos olhos dela e querendo falar o que sinto, mesmo que fosse complicado para mim.

Lágrimas de ilusão. Histórias para pegar e não largar. Descubra agora