06.

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Helena:

A comemoração hoje seria algo mais tranquilo: jantar, churrasquinho e musiquinha. Dani quis começar as comemorações com algo mais formal, entre amigos mais íntimos e alguns familiares.

Por sorte, eu vim com uma roupa mais tranquila. Nem tão arrumada e muito menos vulgar. Algo comportado e tranquilo.

Helena: E você nem avisa, né, sua porrinha? - ela deu risada e eu a abracei. - Já pensou eu vir com uma roupa vulgar?

Dani: Minha vó iria orar por você para afastar tudo de ruim. - Dei risada e a Heloísa riu também.

Heloísa: A minha não é vulgar, mas também não é tão comportada. - Deu risada.

Ela estava com um vestido preto curto que realçava as curvas do corpo dela e que as costas eram nuas. No caminho até aqui, viemos conversando, e ela parece ser uma pessoa muito gente boa, sabe?

Fomos falar com alguns familiares da Dani que estavam aqui e, depois, nos misturamos com os outros amigos dela.

Heloísa: Eu sou formada em pedagogia - comentou - sou apaixonada por crianças e poder ensinar a elas é muito magnífico.

Samara: Você já está ensinando? - perguntou o que eu iria perguntar, e olhei para ela.

Heloísa: Eu me formei recentemente - deu risada - fiz estágio e já me apaixonei muito. Tem alguns meses que comecei a ensinar em uma escola particular, mas daqui a pouco vou estar ensinando em outra escola também. Só estou esperando ficar pronta.

Helena: Você vai criar sua própria escola? - perguntei, na dúvida, e ela negou, rindo.

Heloísa: É uma escola do morro - ergui a sobrancelha. - Uma escola está sendo construída no morro onde eu moro. É meio que uma ONG, na verdade, e lá é onde vamos acolher todas as crianças.

Helena: ONG educacional? - Ela concordou com um sorriso.

Isabele: Eu não trabalharia nisso - falou, fazendo pouco caso. - Trabalhar sem receber nada? Comigo não dá. - Balancei os ombros, não tirando a razão dela.

Não que eu não trabalharia nisso, até porque eu amo ajudar pessoas, mas tem gente que nunca iria trabalhar tanto, se esforçar e acabar se estressando para, no fim, não receber nada. Cada um é cada um.

Heloísa: Consigo de boa, ainda mais para ajudar as crianças que são do mesmo lugar que eu nasci e cresci.

Isabele: É que às vezes eu esqueço que você é desse lugar - olhei sem entender e vi a Samara revirar os olhos.

Samara: Lugar que tem nome, né? - falou, e a Isabele soltou um sorriso de lado, com deboche.

Ué, gente? Ela está debochando de quê? Não tem nem do que debochar. Eu, hein.

Dani: Lasanha daqui a pouco vai estar sendo servida - chegou na mesa - vish, que climinha é esse?

Heloísa: Nada - sorriu - estava falando da escola que vai ter lá no morro.

Dani: Ah, aquela que você tinha comentado? - perguntou sorrindo, e ela concordou.

Helena: E como é que faz para trabalhar nessa ONG? - perguntei interessada e percebi todos direcionarem o olhar para mim. - O que foi, gente?

Samara: Você interessada assim? - ergueu a sobrancelha.

Helena: Mas eu sempre gostei de ajudar as pessoas - falei, sem entender.

Lágrimas de ilusão. Onde histórias criam vida. Descubra agora