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Helena:
Hoje fui trabalhar, assim como trabalhei ontem. Como não tem como eu estar o dia todo ajudando a Camile com o Vinícius, estou pagando a uma enfermeira para ela passar o dia lá ajudando a cuidar do Vini. Logo cedo, antes de eu ir trabalhar, vou à casa deles e já deixo o almoço pronto. Juninho faz o café da manhã e depois vou para casa terminar de me arrumar e ir trabalhar.
Quando saio do trabalho, agora às 17:30, vou para casa, tomo meu banho, como alguma coisa e depois vou dar uma passada lá para ajudar no jantar e ficar um pouco com o Vini. Dou o banho da noite dele e depois vou para casa.
Vini é um menino tranquilo, então ele não dá muito trabalho à noite, só acorda mais para mamar e depois volta a dormir. Assim, a Camile e o Juninho conseguem dar conta. É bom também que eles já vão pegando essa responsabilidade, mesmo que sejam novos.
Hoje, minha rotina seria a mesma, mas, durante a parte da tarde, enquanto eu estava no postinho trabalhando, escutei por alto que os meninos tinham acabado de chegar da tal missão. Segui meu dia trabalhando e não mandei mensagem para ninguém e muito menos liguei, assim como estou fazendo durante esses dois dias desde a briga com a Jessica.
Bloqueei o Igor e até hoje ele está lá bloqueado. Só desbloqueei ele ontem de manhã porque ele estava ligando para o Juninho e para a Helô, mandando eles me pedirem para responder. Desbloqueei e só dei a seguinte resposta:
"Assim como não envolvo ninguém nas nossas discussões, espero que você faça isso também. Se te bloqueei, tenho motivos, e se quer ter uma conversa, conversamos quando você chegar."
E bloqueei ele de novo. Posso estar sendo imatura? Posso, mas não estou ligando, porque durante quase esses oito meses que estamos juntos, o que mais venho fazendo é lutando por esse relacionamento, evitando brigas e discussões, mas já estou ficando cansada. Já estou pelo pescoço e quando eu chegar no meu limite, já era.
Estava arrumando minhas coisas para ir embora para casa, despedi-me do pessoal, bati meu ponto e saí do postinho. Já vendo o menino que fica na minha segurança, dei boa tarde a ele e subi na moto, vendo-o dirigir até lá em casa. Sabia que, se o Igor já estivesse em casa, eu não conseguiria ir para a Camile, pois teríamos que conversar logo. Mas, se ele estivesse na boca, ou na outra favela, ou sei lá onde, eu só tomaria meu banho, comeria alguma coisa e iria para a Camile.
Estávamos passando em frente à padaria e pedi para ele parar a moto, pois eu iria comprar pão, e ele parou. Entrei no estabelecimento, vi algumas pessoas me encarando e dei boa tarde, pedindo 5 reais de pão. Aproveitei e comprei queijo e presunto. Paguei à atendente e saí do estabelecimento, subi na moto de novo e o menino deu partida.
Assim que cheguei à porta de casa, percebi que o portão estava meio aberto e os meninos que ficam ali na frente, na segurança, me encaravam. Depois da merda daquela briga, voltaram a comentar sobre mim nas páginas e ainda disseram que a briga foi por causa do Igor, que a Walesca brigou por causa do tomate e que a Elô só se envolveu para nos defender.
Algumas pessoas saíram em nossa defesa, outras ficaram do outro lado e eu sigo em silêncio, porque a briga não foi sobre homem nenhum, a não ser sobre o Gui e a Gabi. Eu não me prestaria ao papel de brigar por homem e, se fosse por isso, eu teria ido para cima da Jessica assim que ela me chamou de corna, mas eu só virei as costas e entrei em casa.
Mas também não vou negar que, do jeito que eu estava, se ela falasse mais alguma merda me xingando, eu teria ido para cima dela de novo. Nunca fui de sair na mão com ninguém. A última pessoa com quem briguei assim foi quando eu tinha 16 anos, e mesmo assim foi porque a menina ficou rindo e falando que eu não tinha pai. Depois disso, nunca mais briguei, porque, no final, eu não tinha pai mesmo.
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Lágrimas de ilusão.
FanfictionNunca espere demais da sorte ou dos outros; no fim, não há quem não decepcione você.
