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Helena:
Já haviam se passado três dias desde que a Camile teve o Vinícius, e hoje finalmente íamos embora para casa. Pela manhã, o Vinícius fez o teste do pezinho, e eu fui com ele. Tadinho do meu menino, chorou tanto! Depois, levei-o de volta para a Camile, e ele ficou todo dengoso com a mãe, mamou e tudo. Até agora, está tudo bem; ele está conseguindo mamar direitinho, mas a produção de leite da Camile não é muito grande. O médico orientou-a a estimular os seios e até passou um medicamento.
Mile: Ele é tão lindo! - disse, alisando o rosto do filho. Eu sorri de lado, enquanto terminava de arrumar as coisas para irmos para casa. - E os cabelos dele são bem pretinhos!
Helena: Lindo mesmo! - sorri, fechando a bolsa.
Juninho: Me chamaram? - olhei para a porta, vendo-o entrar. Não consegui segurar o riso. - Escutei a palavra 'lindo' e já cheguei.
Helena: Você não deixa de ser convencido, né? - neguei com a cabeça. - Vai levando essas bolsas para o carro e depois volta para pegar a Camile. Eu vou levando o Vini.
Juninho: Se não estavam me chamando, estavam chamando quem? - cruzou os braços e olhou pela sala. - Deve ser o meu menor, né? Ele é lindão mesmo, puxou ao pai. Vai ser o terrorzinho dessa favela.
Mile: Deixa de falar besteira - negou com a cabeça, e eu não consegui segurar a risada. - Ele nem parece com você, para de graça.
Juninho: Claro que parece, é meu filho - ele se aproximou dela e deu um selinho. - Fala para tua mãe que tu vai ser o terror, pô. - falou com o rosto perto do Vini, que estava no colo da Camile. Eu fiquei quieta, observando.
Se eles têm algo sério? Eu não sei. Esses adolescentes de hoje em dia são confusos demais. Mas eles estão juntos, como diz o Juninho. Estão deixando as coisas fluírem para ver no que vai dar. Mas eu já falei para ele que as coisas não funcionam bem assim. Melhor deixar claro o que é logo de cara, para depois ninguém sair machucado.
Helena: Toma, vai levando essas bolsas logo. - entreguei as três bolsas para ele. - E volta logo para ajudar a Camile, não fica parando em cada corredor para contar que o Vini já nasceu. Todo mundo já sabe.
Ele estava assim, toda vez que vinha aqui no postinho, parava os enfermeiros, técnicos e médicos, tudo para contar que o filho dele tinha nascido. Como se todo mundo já não soubesse, né? Juninho é um fofoqueiro, tudo ele sai contando, e o nascimento do filho dele não seria diferente. Se bobear, até o pessoal do México, Portugal e Estados Unidos já sabe.
Juninho: Que isso, mãezona? - pegou as bolsas da minha mão. - Isso é porque o paizão tá viajando, né? Só pode, pô.
Helena: Vai logo, Juninho. - falei, e ele deu risada, saindo do quarto.
Igor tinha viajado para uma missão logo depois do Vini nascer, na madrugada de sábado. Provavelmente, ele já sabia sobre essa missão há muito tempo, mas só veio me contar poucos minutos antes de partir. Não falei muita coisa e, muito menos, ele. Só disse que, apesar do que ele estivesse indo fazer, Deus estivesse com ele.
Como nas outras vezes, ele não disse nada, mas fechou a cara, o que nunca tinha feito antes. Eu respirei fundo e falei que o amava. Ele respondeu de forma bem seca, pegou as coisas dele e saiu de casa.
Peguei o Vini do colo da Camile e o coloquei no canto da cama. Ajudei-a a sentar, e logo o Juninho entrou na sala com a cadeira de rodas, colocando-a sentada com cuidado. Segurei o Vini com delicadeza no meu colo e olhei para seu rostinho, vendo-o sorrir de lado enquanto dormia, o que me fez rir. Saímos do quarto e logo do postinho.
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Lágrimas de ilusão.
FanfictionNunca espere demais da sorte ou dos outros; no fim, não há quem não decepcione você.
