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Helena:

As coisas estavam estranhas.

Eu não sei explicar, mas sinto que vai acontecer alguma coisa.

Minha mãe foi embora já tem dois dias. Foi meio estranho vê-la saindo com todas as suas malas e levando algumas coisas de lá de casa. Apesar de a gente nunca ter tido realmente uma relação de mãe e filha, ela era minha mãe, né? Mesmo ela não me considerando tanto como filha.

Comecei a procurar algumas casas boas, em um preço que dê para eu pagar e ainda tirar meu carro, mas todas as casas estão caras. Uma pior que a outra, então estou deixando isso mais de lado, pelo menos até essa semana.

Venho trabalhando desde então. Minha rotina segue sendo a mesma, ou seguia, sei lá. Estou achando as coisas meio estranhas por aqui; alguns enfermeiros me olham como se quisessem me falar alguma coisa, mas nunca falam nada.

Isso estava me deixando com receio e a sensação de nervosismo. Só espero que não seja nada que me deixe pior do que já estou.

Terminei de dar a injeção em mais um paciente e joguei as coisas utilizadas no lixo.

Xxx: obrigada - falou e sorriu.

Helena: por nada. - esperei ela sair da sala e saí logo em seguida.

Fui até o banheiro rápido e, assim que saí, a Laise apareceu na minha frente. Antes mesmo que ela falasse o primeiro "a", meu coração já tinha começado a acelerar.

Laise: o diretor está te chamando na sala dele - me olhou sem jeito e respirei fundo.

Helena: não é coisa boa, né? - perguntei com medo e ela balançou a cabeça.

Laise: desculpa. - sorri, sentindo minha garganta se fechar em um nó, e neguei com a cabeça.

Helena: tudo bem - passei a mão no cabelo e respirei fundo, tomando coragem para ir até a sala dele.

O corredor parecia ter ficado mais longo e eu já sentia minhas mãos começarem a tremer. Assim que cheguei na frente da porta da sala do diretor, respirei fundo, tomando coragem, e bati na porta, entrando em seguida.

Helena: Oi. A Laise falou que o senhor queria falar comigo.

Everton: Oi, Helena. Sente-se. - me sentei na cadeira e ele olhou bem para o meu rosto, respirou fundo e começou - Sempre admirei muito a forma como você trabalhou aqui. Sempre atendendo a todos com amor, mas, infelizmente, o hospital vem enfrentando alguns desafios logísticos e, após uma análise, tomamos a decisão de reduzir o número de funcionários em algumas áreas.

Engoli em seco, tendo a certeza do que realmente acontecia, e me ajeitei na cadeira, segurando as lágrimas que queriam descer.

Everton: Infelizmente, sua posição foi uma das impactadas por essa reestruturação. Mas quero deixar claro que essa decisão não reflete no seu desempenho e dedicação ao trabalho; muito pelo contrário, sempre notamos o quanto você foi prestativa. Isso se deve a uma necessidade de ajuste estrutural.

Helena: Entendo. - Foi a única coisa que consegui dizer e evitei olhar muito para ele, pois sabia que não conseguiria segurar o choro por mais tempo.

Everton falou sobre outras questões, como suporte, deu conselhos, mas eu não conseguia focar muito bem em tudo o que ele dizia. Na minha mente, só passava que eu estava sem emprego, sem casa e sem nada.

Lágrimas de ilusão. Histórias para pegar e não largar. Descubra agora