08.

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Gavião:

Cl morreu.

Ainda fico sem acreditar nisso, papo reto. Foi em mais uma dessas invasões; morreu com um tiro no pescoço. Um dos menor viu ele morrer.

Chegou no beco e ele estava no chão, agonizando, desesperado. O homem era bom, tá ligado? Independente de ser bandido, ele era bom e sempre pensava no bem da comunidade. E a morte dele não vai ser em vão. Eu vou matar quem fez isso com ele.

Hoje, depois de um mês da morte dele, vai ser o baile para me apresentar como novo chefe da comunidade.

MC Orelha e MC Cabelinho na área, a pedido do povo.

Terminei de me vestir, peguei minha carteira e a chave do carro e saí de casa. Assim que entrei no carro, o Tomate passou no rádio dizendo que a Heloísa tinha chegado ao baile junto com umas meninas. Mandei ele ficar de olho nela e parti pra lá.

A Heloísa já tinha dito que iria trazer umas amigas, então estava tranquilo. Parei o carro do outro lado da rua e desci. Vi os seguranças pararem a moto ao lado e descerem também.

Amanda: Amor - virei e encarei a Amanda, que estava vindo na minha direção com um sorriso no rosto. Encarei-a e os menor se aproximaram.

Gavião: Pode deixar - falei e eles concordaram. - Qual foi, Amanda? - cruzei os braços e ela sorriu.

Amanda: Hoje dá certo nós dois, né? - segurou meu braço.

Gavião: Não já dei o papo? - ela concordou. - Então pronto, porra. - Ela sorriu. - Quando eu estiver saindo, mando um menor ir te chamar.

Amanda: Vê se não some, hein? Só vim hoje por sua causa.

Gavião: Tô ligado - encarei o decote dela - vou liberar o camarote pra tu, se ligou? Mas fica na tua postura.

Amanda: Nada de muito grude, eu sei - se aproximou grudando o corpo no meu e fui com a mão no pescoço dela, vendo seu sorriso - me amarro muito quando você faz isso.

Encostou os lábios no meu e sorri de lado, beijando-a. Mas logo me afastei.

Gavião: Mete o pé, pô. - Falei e ela concordou com um sorriso no rosto e ajeitou o decote, saindo rebolando. - Bora.

Falei com os seguranças e fomos entrando na quadra, já atraindo vários olhares na nossa direção. Subi direto para o camarote, cumprimentei alguns menores, fiz meu copo de bebida e sentei no sofazinho, ficando de canto conversando com os caras.

Kalina: Olha ele - apareceu no meu campo de visão - muito gostoso. - Já veio sentando no meu colo e bebi mais um gole de uísque.

Observei os menor olharem de lado e dar risada, desviando o olhar. Encarei a Kalina de novo e ela sorriu, me abraçando pelo pescoço.

Gavião: Sem muito grude, pô - estalei a língua e ela concordou - tu não disseste que não ia vir hoje? Tá fazendo o que aqui?

Kalina: Tinha que vir ver meu homem na comemoração dele, né? - dei risada e neguei com a cabeça.

Gavião: Meu homem - ri pelo nariz - sou teu homem não, tá maluca? Deixa das tuas emoções, papo reto. - escutei umas risadas.

Kalina: Modo de falar, Gavião - bufou, revirando os olhos, e encarei ela sério.

Cobra: Caralho, tem umas minas gostosas pra caralho com a Heloísa. Não sei qual é a melhor - observei ele chegar falando e lembrei da Heloísa, já tinha até esquecido dela.

Lágrimas de ilusão. Onde histórias criam vida. Descubra agora