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Gavião:

Rum. Pensa em uma mulher complicada pra caralho, mané. Filha da puta, ficou um tempão sem olhar na minha cara. Depois saiu para atender uma ligação de um tal de "Lucas" 💚.

Lucas. Rum. Quero saber quem é esse arrombado. Ainda tá com a porra de um coração. Fui atrás para saber quem era e ainda escutei ela chamando ele de "amor". Amor, o caralho. Porra de amor. Amor. Rum.

Me estressei, sentindo meu sangue ferver, e puxei ela para saber quem era aquele porra que ela estava falando. E ela veio com papo de que eu ia machucar ela de novo. Olhei para o braço dela e vi um roxo.

Respirei fundo, esfregando a mão no rosto.

Helena: Tá achando ruim? É só sair da mesa - falou, depois de eu ter dito para ela falar direito comigo. Respirei fundo, vendo-a se afastar e entrar na sorveteria.

Por que essa mulher tem que ser assim? Porra, nunca tive problema com mulher como estou tendo com essa.

Me afastei, indo para o outro lado da rua, e peguei um cigarro no bolso, acendendo-o. Olhei a movimentação da favela, a mente a mil. Vários bagulhos na cabeça e ainda tem a Fernanda, que não para de ligar, e eu ainda tenho que descobrir mais coisas.

Soltei a fumaça para cima e vi a Kalina passar junto da mãe dela. Ela sorriu disfarçando na minha direção e eu continuei sério. Rum.

Olhei para frente e vi a Helena, a Heloísa, o Guilherme e a Gabi virem.

As crianças vieram correndo na minha direção primeiro e já veio uma ideia na minha mente.

Gui: Deixa a Gabi ir no carro com a gente - falou todo afobado enquanto terminei de fumar o cigarro.

O menor tinha conhecido a Gabi hoje e já estava assim. Ligeiro, não.

Gavião: Vai todo mundo, pô - falei, já com a ideia de que a Helena viria no carro. Eu deixaria todo mundo em casa e, na hora dela descer, levaria ela para algum canto para a gente conversar.

Porque se eu não for, ela não vem. Mulher cabeça dura e orgulhosa, isso que me deixa puto, mas também me instiga. Não sei explicar essa porra, ela era a única, além da Heloísa, que bate de frente comigo desse jeito.

A mulher tinha algo nela que me deixava instigado de um jeito que nenhuma outra mulher tinha. Não sei se era o orgulho dela ou o jeito que ela me enfrentava, mas eu queria ela, e queria ela do meu jeito.

Tentei dar um jeito de ela entrar no carro também, mas a filha da puta inventou a maior desculpa e a Heloísa ainda ficou do lado dela.

Traíra do caralho. Eu que sou o irmão dela, porra. Ela tem que ficar do meu lado, não do da Helena.

...

Juninho: Não quero outra mãe, pô. - Abri a porta da minha sala com tudo e encarei ele. - Se não for a mãezona, não vai ser mais ninguém. Ainda mais se for a Jessica.

Gavião: Porra, tu se aproveita demais da moral que eu te dou - falei sério. - Sabe bater na porta, não, caralho?

Juninho: Paizão - tirou o fuzil, deixando de lado, e sentou na cadeira à minha frente. - Tu vai deixar a mãezona pra ficar com a porra da Jessica? Porra, aquela... - respirou fundo. - Vou nem falar nada, papo reto.

Gavião: E eu disse que ia ficar com alguém, caralho?

Juninho: Não é o que estão comentando por aí. - Falou sério, cruzando os braços. - Falaram que tu saiu da casa dela logo cedo. - Passei a mão na cabeça. - Vacilo do caralho, paizão.

Lágrimas de ilusão. Histórias para pegar e não largar. Descubra agora