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Gavião:
Porra, os bagulhos estavam batendo. Podia ser noia da minha cabeça, mas batia.
Lembro que a Fernanda disse que a mulher que o carioca está atrás até hoje tinha fugido daqui há 20 anos.
A Helena tem 20 anos, a mãe dela foi embora daqui e, quando voltou, ficava desconfiada. Tenho quase certeza de que é isso, pô. Mas o bagulho é que, se a Helena for filha do carioca mesmo, fode tudo nesse caralho.
Porra, eu quero matar aquele velho. A facção inteira está atrás dele e, se for para ir atrás de alguém importante para ele, eles vão; e se a Helena for filha dele... Porra.
Tentei puxar mais alguma coisa, queria saber de mais coisas, mas a Helena não sabia de porra nenhuma. A mãe dela nunca contou nada sobre o pai dela para ela. Que ódio é esse que a mulher nunca falou nem sequer o nome do cara? Ou o cara fodeu muito a vida dela, ou é bandido, e se for bandido, tem chance de ser o carioca.
Passei a mão no rosto, tentando pensar em mais alguma coisa, e a Helena se afastou, sentando na cama e me olhando sem entender.
Helena: Por que dessas perguntas? - cruzou os braços - Tá ficando nervoso por quê?
Olhei para ela e neguei com a cabeça. Não vou falar esse bagulho de cara, vou tentar descobrir mais alguma coisa e depois ver o que vou fazer. Preciso ter mais da metade da certeza de que ela seja filha do Velho.
Mas, porra, parando agora e olhando para ela, percebo que ela tem algo do carioca. Eu não sei o que é, mas ela lembra o carioca em algum aspecto. Não estou ficando doido.
Gavião: Tu já falou que queria conhecer seu pai, pô. Que queria fazer perguntas a ele - falei - se tu soubesse de mais algum bagulho, eu poderia tentar ir atrás.
Helena: Mas eu lembro que, quando eu disse isso, você disse que, fazendo perguntas para ele, não iria mudar nada do meu passado - ergueu a sobrancelha - e agora você ficou interessado no assunto do nada? - estalei a língua.
Gavião: Nem conhecer tua mãe, eu conheço. Nem teu pai, ninguém da tua família - falei sério, e ela estreitou os olhos.
Helena: Ué, eu também não conheço mais ninguém da tua família, sem ser a Helô - me encarou - tio, tia, prima, primo. Nada.
Gavião: Mas é bagulho diferente, e pelo menos tu conhece a Heloísa.
Helena: Mas eu fiquei mais próxima da Heloísa antes mesmo de ficar próxima de você - suspirei - minha mãe nem aqui está mais, Igor. Ela foi para Belo Horizonte, e tu até já falou mal dela e agora quer conhecer?
Gavião: Não posso mais? - cruzei os braços, ainda sério - e eu tô tentando ajudar você a encontrar seu pai, pô. Fica reclamando aí - falei, e ela revirou os olhos - para de revirar os olhos, tudo isso é seu.
Helena: Não vou nem dar corda para você - pegou o celular dela e se deitou na cama. - Parece que você não sabe conversar direito. Por que você tá tão interessado no meu pai de repente? - Respirei fundo.
Gavião: Não é isso, porra. Eu tô tentando entender o que tá acontecendo, Helena. Você mesma já falou que não sabe muito sobre o passado da sua mãe e do seu pai, e isso me faz pensar que tem algum bagulho muito mais profundo nisso daí.
Falei, e ela me encarou, desconfiada, mas como se quisesse saber os bagulhos também. Respirei fundo e sabia que, para fazer ela querer saber mesmo, eu tinha que ter mais calma.
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Lágrimas de ilusão.
FanfictionNunca espere demais da sorte ou dos outros; no fim, não há quem não decepcione você.
