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Gavião:
Organizei os bagulhos todos para tomar cinco bocas, favela do carioca. Mas quem fica de frente é outro.
Estava tentando ficar tranquilo nesse caralho, mas saí de casa logo de cabeça quente com a Helena e nem dei o papo de que ia para a missão.
Na metade do caminho, bateu arrependimento. Tô ligado que depois ela vai falar pra caralho e a gente vai brigar de novo, mas agora já era. Depois resolvo esse bagulho com ela.
O papo mesmo era que o bagulho estava ficando chato. Parece que qualquer coisinha já era motivo para a gente brigar e discutir, papo reto. Não sei se é porque estamos morando juntos, mas estava foda e olhe que só estamos juntos há 3 meses. Imagine daqui pra frente. Rum.
Não sei se esse bagulho vai dar certo, não. Nunca me prendi a ninguém assim. Ainda tem esse bagulho dela ser a possível filha do carioca.
Era três vans, cada uma com 10 caras mais ou menos, bagulho que nós estávamos indo pesado. Não era uma invasão qualquer, não; era para matar qualquer um que entrasse na nossa frente para atrapalhar e pegar a comunidade para a gente.
A trocação foi do caralho, nenhum lado queria arregar e eu só saía daqui com a porra dessa favela no meu nome. Estava cansado pra caralho, suor pingando na testa, a boca estava ficando seca, mas eu só ia parar quando conseguisse.
O barulho das rajadas de tiros ecoava no ar, mas eu já estava acostumado. Tudo o que eu sentia era o peso da missão nas costas, o peso da vida que eu escolhi.
De repente, a minha cabeça parecia ficar mais clara, os sentidos mais apurados, enquanto o caos ao meu redor tomava proporções cada vez maiores.
Não era a primeira vez que eu estava nesse tipo de situação, mas tinha um bagulho naquele momento que pesava mais. Talvez fosse o fato de que eu estava indo para essa missão com a cabeça cheia, dividido entre a favela, a guerra que eu estava travando e a Helena, que não parava de me consumir.
Gavião: Porra! - pulei para a outra laje, com os pensamentos a mil, mas a minha mente insistia em pensar na Helena.
Tentei deixá-la de lado, permitindo que a adrenalina ainda tomasse conta do meu corpo, e percebi os tiros irem cessando.
Dado: Estão recuando, porra. Estão recuando. - falou no rádio com a respiração ofegante, e me abaixei na laje, vendo um filho da puta descer o morro correndo.
Mirei a calibre .50 na cabeça dele e só vi seu corpo cair para o lado, sua cabeça ficando esbagaçada. Sorri de canto e pulei para a outra laje, escutando o menor falar no rádio também.
Th: Pipo acabou de derrubar o de frente - falou - já era, pô. Cinco bocas é nossa. - Sorri de canto escutando aquilo e não demorou muito; os fogos foram lançados ao céu.
Tirei a blusa do corpo e passei no rosto, tirando o suor. Olhei os seguranças virem logo atrás e pulamos para baixo. Olhei ao redor para ver se não tinha mais nenhum outro filho da puta e fomos descendo o morro, sempre atentos.
Gavião: Quero atenção. Fazer uma limpa nesse caralho, ver se não ficou nenhum alemão. - Entrei em outra rua e fiz sinal, peguei meu celular, olhei a hora e já ia dar meia-noite.
Rondei o morro junto com outros, os quatro cantos daquela favela e depois deixei eles para tirarem os corpos e fui até o boca principal. Precisava ver como era o andamento desse caralho e como vou fazer daqui pra frente.
Gavião: quero o pipo aqui na boca principal - falei no rádio e deixei de lado, olhando as anotações.
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Lágrimas de ilusão.
FanficNunca espere demais da sorte ou dos outros; no fim, não há quem não decepcione você.
