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Gavião:
24 de dezembro.
Caralho, fiquei quase uma semana em missão. Quase ia de base, papo reto. Mas tô aqui vivão. Vou passar o Natal com a Heloísa e depois ir curtir um baile.
Tava toda aquela correria de véspera de Natal, principalmente esse ano que eu planejei um bagulho foda pra comunidade e pro menor da ONG.
A favela tava feliz e em paz.
Gavião: vou dar o papo só uma vez - apontei na cara dele, que tentou se afastar, mas puxei ele de novo - tua sorte é que eu tô num dia bom hoje e não quero gastar minha bala contigo, mas se tu vacilar de novo, eu faço tu virar peneira, tá entendendo, porra?
Xxx: tô sim, Gavião, tô sim - falou todo tremendo e continuei sério encarando essa porra.
Gavião: vai levar madeirada nas duas mãos para aprender a não roubar na minha favela - empurrei ele e olhei pro menor que tava na porta. - dez em cada mão.
LD: com prego?
Gavião: é, caralho. A que tiver mais prego - falei sem paciência - e pode gravar essa porra e jogar na internet, a sorte desse arrombado é que ele não vai morrer.
LD: Pode deixar, patrão - pegou na cola do filho da puta e saiu arrastando ele.
Rum, só posso estar morto nesse caralho pra doido querer vir roubar na minha favela. Sorte dele que eu tô de boa hoje, pô. E que eu ainda vou deixar ele vivo para passar o Natal com a família.
Tomate: Os menores da barreira passaram a visão que os caras que tu mandou para a decoração da ONG chegaram - chegaram falando e encarei ele.
Gavião: Pode liberar a entrada - passei a mão na cabeça.
Tomate: Só não entendi. A Heloísa não já tinha arrumado tudo?
Gavião: Faltava um bagulho aí - falei sério - a criançada vai se amarrar e, de quebra, eu vou conseguir um bagulho também. - falei e ele olhou meio desconfiado. - Qual foi, caralho?
Tomate: Ia falar que tu tá calmo hoje, mas já vi que não tá. Continua a mesma mula de sempre - estalei a língua.
Gavião: Daqui a pouco tô virando uma fazenda ou um zoológico. A outra me chama de cavalo, tu me chama de mula, sou mais o que nessa porra também?
Xxx: Olha o cachorro, mamãe! - Olhei para frente, vendo uma menorzinha correr atrás do caramelo e escutei a risada do Tomate.
Tomate: Puta que pariu, eu amo minha favela! - Neguei com a cabeça, sério - e ainda se chama Gavião. Acho que vai virar um zoológico mesmo.
Gavião: Tomar no cu! - Resmunguei - vem tontear minha mente não, porra. Me deixa na minha paz.
Tomate: Tô vendo tua paz. Chega tá voando uns pombos na sua cabeça.
Gavião: Só fala merda! - Neguei, sério - mete teu pé antes que eu faça tu virar extrato de tomate.
Tomate: Sei que tu me ama! - Se virou, rindo - vou chegar lá na ONG para ver como tá ficando.
Gavião: Virei viado agora pra tá amando marmanjo! - Estalei a língua e passei a mão no bolso, pegando meu baseado. - Quero todo mundo na atividade nesse caralho.
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Lágrimas de ilusão.
FanfictionNunca espere demais da sorte ou dos outros; no fim, não há quem não decepcione você.
