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Helena:
Juninho estava deitado na cama de emergência, com o rosto pálido e os olhos cansados. A dor estava estampada em seu rosto, e o esforço para não demonstrar o quanto estava sofrendo era visível. Ele tentou ser forte e até fez suas piadas, como sempre, mas a costela fraturada, o cansaço e os machucados do confronto o estavam derrubando.
Eu estava de um lado da maca, organizando os materiais e respirando fundo para me manter calma. Já passei por isso antes e sabia o que fazer. Mas, quando o paciente é alguém tão próximo, a linha entre o profissional e a pessoa afetada fica tênue. Não era fácil tratar Juninho com a frieza que a profissão exige. Cada movimento que eu fazia, cada decisão, parecia ser um reflexo da minha ansiedade.
Helena: Juninho, me escuta... – falei, com a voz firme, tentando cortar o nó na minha garganta. Ele estava com os olhos semicerrados, tentando se manter acordado, mas a dor e o sangue que já havia perdido o estavam deixando exausto.
Juninho: Eu tô bem, mãezona... é só um arranhão... – Ele forçou um sorriso, mas não enganou ninguém. A respiração dele estava difícil, e eu percebi como ele estava se esforçando para manter a compostura. Mas ele não estava bem. Aquela costela quebrada não ia passar despercebida, e eu sabia disso. Eu podia ver no modo como ele se mexia, no jeito que tocava o peito.
Eu segurei o estetoscópio em minhas mãos, tentando manter a calma. Sabia que precisava agir rápido.
Helena: Juninho, não brinca com isso. Se não te cuidarmos agora, pode complicar. Preciso que você respire devagar. Vamos te dar um analgésico para amenizar a dor, mas preciso que você relaxe para eu conseguir examinar direito.
Ele assentiu com a cabeça, tentando controlar a respiração que já estava se tornando difícil. Eu não queria ficar demorando, mas também sabia que ele precisava do meu auxílio da maneira mais técnica possível.
Com as mãos firmes e seguras, fui ajustando os sensores no corpo dele, conferindo os sinais vitais. A pressão dele estava um pouco baixa devido ao trauma e à perda de sangue, mas não era nada desesperador. O pior mesmo era a dor da fratura, que estava afetando sua capacidade de respirar profundamente. E, sem a respiração adequada, o risco de complicações aumentava.
Helena: Fica tranquilo, Juninho. A dor vai passar, mas eu preciso que você respire profundamente. Isso vai ajudar. – Minha voz saiu mais suave, mas ele estava ainda mais tenso, com os dentes apertados enquanto tentava inspirar fundo. A cada movimento que ele fazia, o rosto dele se contorcia de dor.
A enfermeira que estava comigo na sala se preparava para aplicar o analgésico. Afastei-me um pouco e continuei encarando-o, enquanto via a enfermeira aplicar o analgésico nele. Eu senti o alívio imediato quando ele começou a relaxar um pouco.
Ele fechou os olhos, ainda tentando processar o que havia acontecido, e eu o observei, sentindo uma mistura de preocupação e amor. Eu queria mais do que tudo que ele ficasse bem, que essa vida de violência não fosse mais uma constante para ele. Mas, a cada ferimento, a cada arranhão, eu me via mais desesperada. O que aconteceria se ele não aguentasse?
Eu continuei ali, ao lado dele, observando as alterações nos seus sinais vitais. Não poderia ser negligente com ele.
Helena: Juninho, vamos fazer um raio-X pra ver como tá essa costela, mas você vai ficar bem. Eu tô aqui com você, e tudo vai passar. – Eu dei um sorriso meio forçado, mas ele pareceu relaxar um pouco mais com minhas palavras.
Ele abriu os olhos lentamente, tentando sorrir para me tranquilizar, mas era impossível disfarçar o cansaço e a dor.
Juninho: Eu não queria te preocupar, mãezona... você sempre foi tão forte. – Ele falou com a voz rouca, e eu senti um aperto no peito.
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Lágrimas de ilusão.
FanficNunca espere demais da sorte ou dos outros; no fim, não há quem não decepcione você.
