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Algumas semanas depois...
Helena:
Uma verdadeira relação de amor e ódio com o Cavalo. Eu juro que tento entendê-lo, mas não dá. Às vezes, dá vontade de sufocá-lo.
Ontem teve um bloquinho aqui na favela e eu não fui porque estava trabalhando no postinho, só que daí ele foi e, até então, eu estava de boa, porque não temos nada. Mas só fui chegar à noite que começaram a sair boatos de que ele saiu do bloquinho acompanhado de uma menina.
Mas a questão toda nem é só essa, mas sim pelo fato de que, durante essas semanas que se passaram, as pessoas começaram a me vincular a ele, dizendo que eu era a mulher dele e um monte de merda. Daí as meninas com quem ele fica começaram a fazer piadinhas para o meu lado e vivem postando indiretas nas redes sociais, e o gavião não faz porra nenhuma.
Parece que acha lindo isso. Aí ele saiu acompanhado ontem com uma menina e começaram a falar que eu era corna, sendo que a gente não tem nada. Nada.
Só sei que estou com raiva da cara daquele cavalo. Não quero muito papo.
E se tem uma coisa que eu odeio é estar sendo taxada de otária. Imagina: você não tem nada com o cara e as pessoas afirmam, com todas as palavras, que você tem, sim. E ainda por cima, falam que você é corna? E ainda tem que escutar piadinhas das ficantes dele.
Estou tentando manter minha postura e não responder a nenhum dos comentários que estão fazendo sobre mim no Twitter, mas eu juro, se continuarem inventando mentiras sobre mim, eu vou falar, sim.
Helena: Estou falando, Helô, se continuarem denegrindo minha imagem, eu vou responder - falei com raiva.
Heloísa: Entendo a sua raiva - me olhou - você pode, sim, responder para que as pessoas não te vejam como vítima, mas você também tem que ter cuidado com o que vai falar, ou vão usar sua fala e alimentar mais fofocas ainda.
Respirei fundo, tentando buscar paciência, porque eu me estressei de verdade. Mas pode ter certeza de que, se eu abrir minha boca, não vai ser só para me defender; não, vou falar do Gavião também. Se ele acha que vou ficar caladinha, deixando-me passar como a otária e a corna, eu faço ele passar vergonha também.
Porque ele tem a fama de que não corre atrás de mulher nenhuma, que as mulheres que vão até ele, mas, diferente delas, eu nunca corri atrás dele, não. Muito pelo contrário.
Desabafei com a Helô, porque, mesmo ela sendo irmã dele, ela não passa a mão na cabeça daquele cachorro.
Heloísa: às vezes isso tudo é só uma armadilha para você cair. Você sempre foi quieta na sua, não rende fofoca e briga para ninguém, e às vezes estão fazendo isso para você se expor.
Helena: ou eu falo ou continuo sendo taxada como otária e sendo desrespeitada. - neguei com a cabeça - se for para escolher a minha imagem ou a do seu irmão, eu escolho a minha. Não vou deixar que me façam virar motivo de piada.
Conversamos mais um pouco e depois fomos começar a nos arrumar. Eu tinha recebido o convite de um amigo para ir para a Sapucaí, no camarote Arpoador. Perguntei se podia levar uma amiga e ele concordou, então convidei a Helô, e ela super topou.
Conversei com as outras meninas também, e a Dani, assim como a Samara e a Isabele, disseram que iriam. O Lucas mandou nossos abadás ontem pelo Uber, mas eu pedi para fazer uma roupa. A Helô recomendou uma costureira de uma outra comunidade e peguei o contato, explicando como queria, e ela disse que iria fazer e, sinceramente? Estava lindo.
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Lágrimas de ilusão.
Fan-FictionNunca espere demais da sorte ou dos outros; no fim, não há quem não decepcione você.
