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Gavião:

Juninho: Eu não esperava que isso fosse acontecer, papo reto - passou a mão na cabeça - eu não sei o que fazer.

Continuou e ia falar, mas preferi ficar calado. Não tinha mais o que fazer, pô. Ele vai ter que assumir e pronto.

Helena: Se a criança for sua, você vai assumir - falou como se fosse óbvio e depois suspirou - agora é só esperar até amanhã, vai descansar.

Falou e ele balançou a cabeça, levantou-se para ir embora e deu boa noite. Continuei quieto na minha; depois, bato um papo legal com ele.

Helena: E eu também vou embora - falou - tem como você me levar de volta? - falou comigo, e olhei para ela, levantando do sofá e indo para a cozinha.

Não vou levar nada. Demorei lá e ainda fumei um. Quando voltei para a sala, vi ela sentada, séria, e o Juninho sentado também.

Gavião: Tu não ia embora? - perguntei para ele.

Juninho: Caiando maior pé d'água lá fora. Acho que vou dormir aqui mesmo. - balancei a cabeça.

Gavião: Já sabe teu quarto. - Olhei para ele, que balançou a cabeça e levantou, indo em direção às escadas.

Helena: Quero saber como é que eu vou embora. - Me olhou.

Gavião: É só não ir. - Falei sério e ela me olhou mais séria.

Helena: Eu estou cansada, Gavião. Passei o dia todinho trabalhando.

Gavião: Dorme aqui. - Ela bufou e levantou, indo em direção à porta. - Vai para onde?

Helena: Para casa. - Respondeu ignorante e estalei a língua.

Gavião: Dorme aqui, caralho. Qual é o problema? - Perguntei sério.

Helena: O problema é exatamente esse: dormir na sua casa - falou séria também. - Não significa que, só porque estou falando com você, eu estou totalmente de boa.

Esfreguei a mão no rosto, buscando paciência para lidar com essa mulher. Duas semanas, porra. Duas semanas e ela ainda tá na mesma, sem querer dar moral para mim.

Queria saber o que caralho essa mulher tem.

Gavião: Para de graça, porra - levantei, indo até ela. - Tá chovendo nesse caralho. Custa você dormir aqui? - parei na sua frente, cruzando os braços ainda sério e baixei mais o pescoço para encarar ela. - Deixa essa marra de lado.

Helena: Não é marra, não - cruzou os braços também. - Só não esqueci toda a merda que você falou para mim e depois começou a agir como se não tivesse dito nada, vindo com os seus joguinhos.

Gavião: Tu quer que eu faça o quê, porra? Já falei e não tem o que fazer mais, não. É só tu esquecer e pronto. - Ela riu com deboche e fiquei com mais raiva ainda.

Helena: Vou esquecer mesmo que você só faltou me chamar de puta e que eu não tinha postura de mulher. - começou a querer se exaltar - Aí depois vem com o papo que eu tô no seu nome. Me poupe, meu filho. Eu não estou nem no nome do meu pai, quem dirá no seu.

Gavião: Porra - passei a mão no rosto - eu tava bolado contigo, caralho.

Helena: Tô nem aí - bateu o pé feito criança - não anula merda nenhuma.

Gavião: Aí que eu te mandei a merda do chocolate, tu não diz, né? Que eu ainda mandei flores, tu não diz - falei estressado - fala que eu pintei o caralho, agora que eu tentei me redimir, tu não diz.

Lágrimas de ilusão. Onde histórias criam vida. Descubra agora