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Algumas semanas depois...
Helena:
Helena: O quê? - perguntei, não acreditando - como assim a senhora vai embora e alugou a casa?
Nadja: Você quer que eu explique mais o quê, Helena? - perguntou, séria - tua sorte é que eu estou te deixando ciente.
Helena: A senhora está me deixando ciente? - ri, não acreditando - a senhora está falando hoje, faltando uma semana para ir embora, que alugou a nossa casa e que vai se mudar de estado. Em que momento a senhora pensou em mim?
Nadja: Para de drama, garota - falou, estressada - estou indo embora por conta do meu emprego. Se quiser vir comigo, venha; se não quiser, que fique. Por mim, tanto faz.
Helena: É fácil falar assim, não é? - cruzei os braços e segurei as lágrimas que queriam descer - como eu ficaria aqui se você colocou nossa casa para alugar e não me falou nada? "Se não quiser, que fique", ficar onde?
Nadja: arrume uma casa - falou mais alto - você não já tem o seu emprego? Não já é maior de idade? Se vira. Só estou te avisando, vou me mudar na próxima semana e, em janeiro, no mês que vem, já vem gente morar aqui.
Dei risada, passando a mão no rosto, e me afastei. Como uma pessoa pode ser assim? Como uma pessoa pode tomar essas decisões sem consultar a própria filha?
Nadja: se não for vir comigo, já pode ir arrumando outro lugar para ficar - falou séria e saiu da sala, me deixando sozinha.
Se eu quiser ir com ela? Como eu vou embora do Rio de Janeiro, sendo que eu tenho meu trabalho aqui? Como eu vou largar tudo assim e ir para um estado que eu não conheço nada?
Fora que ela fala isso, mas já deixou claro que para ela tanto faz eu ir ou ficar. Não vai fazer diferença.
Que tipo de mãe é essa?
Fora que ela alugou a nossa casa. Aquele casal que vinha aqui em casa foi para eles que ela alugou.
Como eu vou arrumar outro lugar para morar em menos de um mês? E eu não vou largar meu emprego assim.
Eu tenho uma quantia na minha poupança, mas acho que não é o suficiente para alugar uma casa do mesmo estilo que a minha. Fora que eu ainda queria tirar meu carro e ir pagando a mensalidade dele.
Eu, sinceramente, não sei o que fazer. Minha única vontade mesmo era chorar. Chorar de raiva por tudo isso.
Fui em direção ao meu quarto e passei em frente ao dela, vendo que a porta estava aberta e ela estava colocando algumas roupas dentro da mala. Neguei comigo mesma, sentindo o nó se formar na minha garganta, e segui até meu quarto, tranquei a porta e respirei, não querendo chorar por isso.
Chega uma hora em que tudo isso se torna cansativo. Se ela não queria ser mãe, então por que me teve? Por que não me colocou para a doação? Ou então me tirou?
Só neguei com a cabeça, me negando a chorar, peguei um moletom, minha bateria e meu celular, saindo de casa sem falar com ela e chamei um Uber.
Só precisava ficar quietinha na minha, na minha paz, e para isso eu iria para um dos meus lugares preferidos: a praia do Vidgal.
...
Sentei na areia e me permiti sentir a paz. O barulho do mar, o vento no rosto e uma música baixa tocando ao fundo.
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Lágrimas de ilusão.
FanfictionNunca espere demais da sorte ou dos outros; no fim, não há quem não decepcione você.
