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Helena:

O caminho até o morro foi silencioso, o tipo de silêncio que te faz pensar demais, sabe? Gabi estava deitada com o rosto no meio dos meus peitos, quieta e já meio cansada. Aquele monte de coisas que aconteceu no final da festa ainda estava martelando na minha cabeça, junto com o que o Igor me disse antes de sair. Ele não parecia nada tranquilo, e o jeito como ele falou sobre a situação com a polícia me deixou com um nó na garganta.

Na verdade, tudo o que envolvia essa vida perigosa dele me deixava com um nó na garganta, e piorou ainda mais depois desses dois meses que se passaram. O Igor tinha essa vida, essa violência no sangue, que parecia ser uma constante. E quanto mais eu me aprofundava nesse mundo, mais eu me sentia sem controle sobre o que poderia acontecer.

Quando o carro entrou na rua de casa, percebi logo o olhar atento dos seguranças. Eles estavam mais nervosos do que o normal. Juninho e os outros estavam em posição, com os olhos sempre atentos, olhando para todos os lados. O clima estava pesado.

Eu saí do carro, ainda com a Gabi no colo, e vi Juninho se aproximando, mas o olhar dele estava fixo na rua, como se ele já tivesse detectado algo errado. Meu estômago revirou, uma sensação de perigo pairando no ar.

Juninho: Tá tudo tranquilo? - chegou perto, mas o olhar dele estava mais focado no movimento da rua do que em nós. Ele estava com uma sensação de alerta no corpo, que dava para sentir no ar.

Helena: Tudo certo. - eu tentei responder, mas minha voz saiu mais tensa do que eu esperava. Coloquei a Gabi no chão, sentindo o peso dela se ajustar ao meu corpo. Ela ficou quieta, observando tudo com os olhos grandes, ainda sem entender o que estava acontecendo.

A Heloísa e a Camile chegaram logo depois, e todos fomos entrando em casa. Assim que passamos pela porta, a Gabi correu até o sofá e se deitou. Parecia que ela estava tentando escapar do caos, buscando conforto em algo simples. Foi só no momento em que ela se deitou que ouvimos o barulho dos fogos lá fora. O som veio abafado, mas nítido, e logo a tensão tomou conta do ambiente.

Eu virei para a porta, e foi nesse momento que vi o Juninho entrando apressado.

Juninho: Vai pro quarto com as meninas - ele falou, com um tom urgente. Eu o olhei, e o medo invadiu meu peito. - Se tranca lá e só abre a porta quando eu voltar.

Helena: Você vai para essa invasão? - perguntei, sentindo meu coração apertar, e ele passou a mão na cabeça, concordando em seguida. - Juninho...

Juninho: Eu vou ficar bem, mãezona - me abraçou de lado, beijando minha cabeça. - Só sobe lá pra cima com as meninas. Não tem o que fazer aqui.

Eu assenti, mas o nó na minha garganta era quase insuportável. A Gabi estava observando tudo, com os olhos arregalados, e a ansiedade dela parecia crescer a cada segundo. Fui até ela e, ao mesmo tempo que a puxava para mim, vi Juninho se agachar ao lado dela.

Gabi: Pra onde você vai, irmão? - perguntou baixo, e o Juninho se abaixou na altura dela. - Você vai ficar bem?

Juninho: Vou mesmo, pô - segurou o rosto dela. - Depois eu volto para a gente tomar um sorvete, se ligou? - Ela balançou a cabeça, claramente confusa e assustada, mas não queria mostrar que estava com medo. Eu sabia o quanto ela adorava o Juninho, e ele acabou se tornando o irmão mais velho dela, aquele que sempre dava um jeito e fazia ela sorrir.

Helena: Vem, Gabi - ela veio na minha direção e eu olhei para a Heloísa, que se aproximava da Camile, que estava visivelmente nervosa, com a mão na barriga, tentando disfarçar o medo.

Lágrimas de ilusão. Histórias para pegar e não largar. Descubra agora