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Como não sei se vou conseguir postar capítulos amanhã, desejo um Feliz Natal adiantado a todos vocês. ❤️

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Gavião:

Olhei para a Heloísa, que me olhava com raiva e decepção, como se eu fosse a porra de um lixo, e isso me fez sentir ainda mais raiva de toda essa situação.

Ela falava sério, apontando na minha direção, mas eu não conseguia prestar atenção em porra nenhuma do que ela dizia. Ainda estava carregado pela raiva e pelo fato de a Helena ter dito que não queria mais saber de mim.

Ela acha que é tão fácil assim, nessa porra? Depois de eu ter contado os bagulhos do meu passado para ela. Ela acha que seria assim? O caralho.

Eu não sabia exatamente o que sentia por ela. A verdade era que, com ela, eu me sentia meio perdido. Ela era a única que me peitava assim, que me fazia sentir como se estivesse perdendo o controle de toda a situação.

Algo nela mexia comigo de um jeito que eu nunca tinha experimentado antes, mas meu orgulho me impedia de admitir. Não era só uma questão de não saber o que eu queria; eu não queria saber. Reconhecer o que ela realmente significava para mim significaria admitir que, sim, talvez houvesse algo mais. Algo além daquelas noites e conversas. Algo além do que eu estava disposto a me permitir.

Nunca tive isso, porra. Nunca. Eu sempre fui alguém fechado, nunca fui de demonstrar essas merdas todas de afeto e vulnerabilidade. E, de repente, ela viu uma parte minha que eu nunca quis mostrar para ninguém. Que eu sempre deixei guardada junto com toda a merda do meu ódio.

Quando ela me confrontou, eu estava furioso. E o pior de tudo: ela não estava errada. Mas eu não iria dar o braço a torcer. Nunca fui de pedir desculpas, nunca fui de ceder. A merda do orgulho sempre foi maior.

Aquele desconforto, aquela sensação de estar perdendo o controle, me fazia querer agir com mais dureza. Queria deixá-la em seu lugar, queria que ela se sentisse tão pequena quanto eu me sentia por dentro. Mas isso não funcionava. Não com ela.

Por que ela tinha que ser assim, caralho?

Passei a mão no rosto, ainda sentindo toda a raiva dentro de mim, e respirei fundo, olhando na direção da Heloísa.

Heloísa: você tem mais é que se lascar ainda - falou, ainda irritada - tá achando que esse teu jeito escroto e babaca vai te levar a algum lugar?

Gavião: tá certo, Heloísa - falei, sem paciência - vou nem me estressar mais contigo. - saí sem nem esperar a porra da resposta dela e ainda olhei ao redor para ver se via a Helena, mas ela já não estava mais por ali.

Eu não iria correr atrás, mas se ela acha que eu vou deixar ela livre para se envolver com outro filho da puta, ela tá enganada.

Eu não ia deixar ela livre assim, sem mais nem menos. Não depois de tudo o que já conversamos, não depois de eu ter mostrado quem eu sou. Ela podia tentar, mas não ia ser tão simples. Eu não ia deixar.

Saí da casa batendo o portão com força e entrei no carro, ainda puto da vida, acelerando dali. Porra, ainda iria dar sete da manhã e toda essa merda já tinha acontecido.

Fui direto para a boca, ainda sentindo minha cabeça ferver de estresse.

Tomate: Bonitão chegou - falou assim que desci do carro. - Então é tu que vive correndo atrás da Leninha? Que isso, o maior cachorrão correndo atrás de mulher?- Riu e eu encarei ele sério, sem paciência nenhuma nesse caralho.

Lágrimas de ilusão. Histórias para pegar e não largar. Descubra agora