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Helena:
Assim que cheguei em casa, respirei fundo, sentindo vontade de chorar. Hoje foi um dia feliz para o pessoal daqui, e eu atendi a todos com um sorriso no rosto, porque esse é meu trabalho. Mas, por dentro, eu estava mal.
Hoje é o aniversário da minha mãe, e ainda não mandei os parabéns para ela, isso por receio. Mas sei que sempre vou amá-la, porque, apesar de tudo, apesar do jeito dela de ser, ela é a minha mãe e, mesmo que não demonstrasse tanto amor por mim, eu sempre a amei.
Respirei fundo e entrei no WhatsApp, acessando nossa conversa, que teve a última mensagem no dia primeiro de janeiro, quando mandei "Feliz Ano Novo" para ela.
Coloquei os dedos no teclado e fui escrevendo para ela, sentindo meus olhos encherem-se de lágrimas. Assim que terminei o texto, parei para ler.
WhatsApp on:
Mãe:
Mãe, neste dia especial, quero te parabenizar.
Sei que nossa relação nem sempre foi fácil,
e que, ao longo dos anos, houve distância e dificuldades.
Mas, apesar de tudo, sempre te amei e ainda guardo a esperança de entender o que nos afastou.
Hoje, meu desejo é que você seja muito feliz, e que a vida te traga mais paz e alegrias. Espero que, um dia, possamos nos aproximar e entender melhor uma à outra. Que Deus te abençoe sempre. 💕
Respirei fundo e apertei em enviar, sentindo a primeira lágrima descer. Saí da nossa conversa e larguei o celular.
WhatsApp off:
Às vezes, acho que ela sofreu demais no passado e, juntando isso ao fato de o homem que deveria fazer o papel de meu pai ter sumido e deixado ela sozinha e grávida, ela desconta isso em mim. Mas eu não tenho culpa e só queria que ela entendesse isso.
Chorei quietinha e orei, pedindo a Deus que a abençoasse, a livrasse de todo o mal e que lhe desse muitos anos de vida. E que, um dia, quem sabe, ela pudesse dizer que me amava, nem que fosse a última coisa que ela falasse ou a última que eu escutasse.
Depois de orar e colocar um pouco do que eu estava sentindo para fora, levantei-me e fui tomar meu banho. Eu estava sozinha em casa; a Helô tinha me mandado uma mensagem avisando que iria sair para um encontro e que talvez só voltasse amanhã cedinho.
Assim que terminei meu banho, saí do banheiro e fui direto para o meu quarto, levando um susto ao ver o Gavião aparecendo no corredor.
Helena: Você é maluco? - coloquei a mão no peito, sentindo meu coração querer sair pela boca e segurei a toalha, respirando fundo.
Gavião: Cadê a Heloísa? - me olhou por completo.
Helena: Saiu - falei, e ele respirou fundo - talvez só chegue amanhã. - avisei e entrei no meu quarto, trancando a porta e começando a me vestir.
Apesar de já estar um pouco tarde da noite, queria sair um pouco. Na verdade, queria ir para o meu lugar preferido, mas daí iria demorar muito e eu ainda teria que pedir um Uber, então vou andar só pelo morro mesmo, já que eu não sou de andar muito por aqui.
Só saio mais para ir à ONG, às vezes para baile e ir ao mercado, e, daqui para frente, para o postinho.
Vesti um short jeans de lavagem clara, uma blusa preta e peguei meu moletom preto também. Passei desodorante e perfume, saindo do quarto e achando que o outro já tinha ido embora. Mas assim que cheguei na sala, vi ele sentado no sofá, mexendo no celular, e assim que sentiu minha presença, levantou o olhar na minha direção.
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Lágrimas de ilusão.
Fan-FictionNunca espere demais da sorte ou dos outros; no fim, não há quem não decepcione você.
