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Gavião:
Gabi: Não pode fumar, tio - olhei para ela, que veio toda enrolada na minha direção - faz mal para a saúde.
Gavião: rum - resmunguei - tu não acha que deveria estar dormindo, não? - tirei o cigarro da boca e virei o rosto, soltando a fumaça - se a Helena estivesse aqui, tu já estaria dormindo.
Gabi: Eu tô esperando ela - concordei e ajudei-a a subir na outra cadeira - é que a tia sempre reza comigo antes de eu dormir, mas agora ela não está aqui e eu tô com sono. - esfregou as mãos nos olhos.
Olhei para ela de canto e depois olhei para frente, voltando a fumar. Helena tinha ido à casa do Juninho, Camile estava passando mal e o Juninho está de plantão, e ela foi ajudar.
Gavião: É só tu ir dormir, pô - olhei para ela - tá com sono, vai dormir.
Gabi: Mas não pode dormir sem reza, tio - negou - tem que agradecer ao papai do céu. - estalei a língua - o senhor me ajuda a rezar?
Olhei sério para ela, que me olhava com os olhos brilhando, esperando minha confirmação. Sei nem como reza nesse caralho. A última vez que lembro de ter feito esse bagulho foi quando era pivete ainda, quando minha mãe era viva.
Gavião: Cê sabe que eu não sou muito bom com essas paradas, né? - Ele deu uma risada sem graça. - A última vez que eu rezei foi... sei lá, uns 15 anos atrás.
Gabi me olhou, um pouco confusa, mas não desanimou. Ela continuou ali, com os olhos brilhando, esperando como se não tivesse pressa. Respirei fundo e ajeitei o cigarro entre meus dedos, sabendo que não tinha como fugir desse bagulho e que, mesmo se eu tentasse explicar, a Gabi não entenderia.
Gavião: Se tu quer, vamos fazer esse bagulho aí. - Ela sorriu. - Como que tu faz?
Essa porra de oração não vai me fazer mudar, mas, se for pra ela acreditar, se for pra ela dormir em paz, foda-se, vou tentar.
Gabi: Tem que rezar o Pai Nosso, tio - riu - mas eu não sei direito, me confundo.
Gavião: Eu também não sei. - Passei a mão na cabeça e coloquei o cigarro na boca. - Deixa eu ver se tem isso daí na internet. - Peguei meu celular e fui pesquisar, e tinha. - Começa aí, e o que tu não souber, eu falo. - Falei sério, e ela balançou a cabeça, começando, e o que ela não sabia era um bagulho ou outro lá.
Gabi: Agora tem que agradecer, tio. Você começa. - Passei a mão na cabeça. - É fácil, tio. - Ela riu, e eu neguei com a cabeça, sem nem saber o que falar.
Gavião: Tá. - Resmunguei e tossi. - Então, obrigado... por tudo que a gente tem. E... pela Gabi, que está bem. -Cocei a cabeça e olhei para ela, que me encarava como se eu tivesse que falar mais alguma coisa. - E, sei lá, se tiver mais alguma coisa que eu deva falar... porra, nunca fui bom nisso.
Gabi: Tudo bem, tio. Antes eu não sabia também. Agora é minha vez - falou e juntou as duas mãos. - Papai do céu, obrigada por tudo que a gente tem. Protege o tio Gavião, a tia Helena, eu, a tia Helô, o irmão Juninho, a tia Mile e manda um abraço bem apertado para a tia Mônica - falou com os olhos fechados. - Amém. - Me olhou. - Diz amém, tio.
Gavião: Amém - falei sério, ainda encarando-a, que parecia acreditar pra valer nesses bagulhos.
Gabi: Agora o senhor me coloca para dormir? - esticou os braços na minha direção e apaguei o cigarro no cinzeiro, puxando-a. - A tia Lena vai demorar muito? - deitou a cabeça no meu ombro.
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Lágrimas de ilusão.
FanfictionNunca espere demais da sorte ou dos outros; no fim, não há quem não decepcione você.
