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Gente, eu esqueci de mencionar no capítulo de apresentação, mas esse livro é baseado em fatos reais. Outra coisa é que meu Wattpad está bugando, tanto que nem consegui escrever as outras coisas que eu tinha planejado para este capítulo. Não sei exatamente o que está acontecendo, mas caso eu pare de postar aqui, vou continuar postando no outro perfil.

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Algumas semanas depois...

Helena:
Entrei no hospital me sentindo cansada de toda essa rotina nas últimas semanas, mas era tudo pela Gabi e eu não iria desistir dela. Tudo vem sendo um pouco complicado, porque eu ainda tenho meu trabalho e o Igor ainda tem o morro para cuidar. Antes, até estávamos dando conta, mas nos últimos dias as coisas começaram a pesar e eu não sei como vai ser daqui para frente.

Entrei no quarto em que a Gabi está internada e a primeira pessoa que vi foi o Igor, que estava de pé olhando a vista pela janela. Suspirei e olhei para a Gabi, que estava na cama dormindo. A quimioterapia começou assim que ela chegou aqui, e esses dias ela vem se sentindo mais cansada, vem dormindo mais e ficando mais quieta.

Cheguei próximo ao Igor e parei ao seu lado, percebendo que ele também estava ficando cansado com a rotina. Ele passa o dia com ela enquanto estou trabalhando e eu venho na parte da noite, e é quando ele vai para o morro e resolve as coisas por lá. Mas ele é o dono, não tem como ficar ausente todos os dias o dia todo assim.

Helena: Eu estava pensando... - murmurei, sentindo minha voz cansada - como vai ser daqui para frente? As coisas estão ficando mais puxadas para você no morro, eu tenho o posto... tem os meninos - referi-me a Camile e ao Juninho.

Olhei para ele e escutei-o soltar um suspiro e me virar, encarando-o. Ele me olhava como se me entendesse. Ele sabia o que eu estava sentindo, mas também conhecia a realidade do morro. As ameaças.

Gavião: Eu não posso largar tudo e ficar aqui o tempo todo - falou com a voz rouca - eu sou a liderança lá, você sabe disso. - Concordei.

Helena: Eu sei... - murmurei e olhei para frente.

Gavião: A polícia está o tempo todo de olho e eu não posso ser visto fora do morro. Se eles souberem que estou fora, eles vêm atrás e já era, pô. - Ele me puxou para ele e eu baixei a cabeça.

Eu sabia do que ele estava falando. Sabia que isso era verdade e que ele não estava exagerando. O Igor não era apenas mais um homem de lá; ele era o chefe, e sua ausência poderia ser interpretada de muitas formas. Isso poderia colocar todos em risco, inclusive ele.

Helena: Eu só não sei como fazer tudo isso - murmurei, sentindo uma angústia. - A Gabi precisa da gente, e se a gente parar de vir e ela perguntar o que está acontecendo? Quando ela se perguntar por que a gente não pode ficar? O que vamos dizer para ela?

Gavião: Vamos ter que dar um jeito, pô - puxou meu rosto, me olhando sério, mas com o semblante cansado. - Eu preciso estar no morro. Eu sou o cabeça de lá, não posso me dar o luxo de ser visto fora e deixar os outros acharem que estou fugindo.

Era difícil, mas eu sabia que não poderia pedir para ele largar o que tinha feito por tantos anos. É bem mais do que isso; ele tinha uma responsabilidade com o morro e com as pessoas que dependem dele.

Helena: Eu entendo, amor. Mas... - suspirei - eu só não posso deixar a Gabi sozinha. - Virei, olhando em direção à cama em que a Gabi dormia.

Gavião: A gente vai estar com ela sempre que puder - puxou meu rosto para ele de novo - eu vou me organizar o máximo que eu puder, mas o morro não para e nem a polícia. Eu não posso ficar arriscando tanto assim.

Lágrimas de ilusão. Histórias para pegar e não largar. Descubra agora