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• 15 anos. • Pablo Gavira. • Leticia_jp25 ____________________________________________
PABLO GAVI.
Eu sempre achei que estava preparado para tudo. Jogos grandes, finais decisivas, pressão da torcida, entrevistas…
Mas nada, absolutamente nada, me preparou para ver minha filha completar quinze anos.
Caminho devagar entre as mesas, conferindo os últimos detalhes. As luzes azuladas — a cor favorita da Lê — iluminam todo o ambiente. No canto, a mesa de doces está com os brigadeiros em formato de “L”, porque eu sabia que ela ia gostar desse detalhe bobo.
Letícia não está aqui ainda. Eu pedi que ela ficasse na sala ao lado, esperando eu e a equipe terminar de arrumar as coisas.
E enquanto eu espero, minhas mãos começam a suar. Me sinto ridículo — jogador profissional com medo de uma festa.
Quando eu vejo Letícia entra no salao, eu fico impressionado. Essa menina nunca se arrumou tanto na vida.
O vestido azul claro dela tem um brilho suave, e o cabelo cai em ondas que qualquer pai acharia exagero, mas nela… não. Nela tudo é perfeito.
Os olhos dela brilham quando me vê.
- Pai, ficou tudo muito lindo! Foi você que fez? - Eu sorrio de lado, do jeito que ela diz que eu faço quando tento esconder emoção.
- Foi. Fiz pra você.
Ela se aproxima e segura minha mão. E naquele instante, vejo todos os momentos de nós dois passando como um filme: os joelhos ralados, os desenhos tortos que ela me dava quando eu chegava do treino, a primeira vez que me chamou de “papai."
As luzes diminuem. A música suave começa e os convidados vão chegando.
E chega o anúncio que eu mais temia e mais esperava:
- Chamamos agora a Letícia e seu pai para a hora da valsa. - O DJ da festa anuncia.
Ela olha pra mim com um sorriso que me destrói.
- Pai, não pisa no meu pé, tá? - ela ri.
- Ei! A última vez foi culpa sua, você que não seguiu o meu ritmo.
- Mentira! - ela ri mais, e esse som é a coisa mais bonita que eu já ouvi.
Ela coloca a mão no meu ombro. Eu seguro sua cintura com cuidado, como sempre fiz quando ela era pequena e tinha medo de cair.
E a gente começa a dançar.
Devagar. Calmo. Como se o mundo inteiro tivesse parado só pra assistir.
Eu giro ela com cuidado, e quando ela volta para meus braços, percebo que meus olhos estão marejando. Não choro — ainda — mas quase.
- Pai, foi incrível!... Eu te amo. - Ela diz assim que a dança acaba.
- Eu te amo mais, filha. E sempre vou amar. Mesmo quando você tiver trinta, quarenta, cinquenta anos.
Ela encosta a cabeça no meu peito enquanto a música continua.
E eu penso… Se existe um momento perfeito na vida de um pai, é esse. ____________________________________________
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