1.4.7 | Pablo Gavi • Comemoraçao.

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• Comemoração

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• Comemoração.
• Pablo Gavira.
• Leticia Gavira, 16 anos.
• @Leticiafereiras
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PABLO GAVI.

O relógio marcava os últimos segundos da partida.
O estádio inteiro estava em pé. Eu mal conseguia ouvir meus próprios pensamentos por causa do barulho da torcida.

Olhei para o placar mais uma vez.

Espanha 1x0 Argentina.

Respirei fundo. Só mais alguns segundos.

Quando o árbitro levou o apito à boca e encerrou o jogo, parecia que o tempo tinha parado.

Então tudo aconteceu de uma vez.

Meus companheiros correram em todas as direções, alguns se jogando no gramado, outros se abraçando. Alguém pulou nas minhas costas, outro bagunçou meu cabelo. Eu só conseguia rir.

Rir e chorar ao mesmo tempo.

Era campeão do mundo!

O sonho que eu tinha desde criança finalmente tinha acontecido. Fechei os olhos por um instante e agradeci por tudo que vivi até ali.

Depois da cerimônia, com a medalha no peito e a taça passando de mão em mão, anunciaram que os familiares poderiam entrar no gramado.
Olhei imediatamente para a entrada.

Vi meus pais primeiro. Minha mãe já chorava antes mesmo de chegar perto e meu pai sorria orgulhoso.

Mas meus olhos procuravam outra pessoa. Até que a encontrei.

Letícia, minha filha.

Ela caminhava olhando tudo ao redor, completamente encantada. Vestia minha camisa da seleção, alguns fios do cabelo estavam bagunçados pelo vento e ela segurava o celular, gravando cada detalhe daquele momento.

Quando nossos olhares se encontraram, ela abriu um sorriso tão sincero que meu coração apertou.

Levantei a mão. Ela acenou de volta e começou a correr.

Assim que chegou perto, ela me abraçou com toda a força.

— Parabéns, pai. Você conseguiu! É campeão do mundo! - A voz dela saiu emocionada. Retribuí o abraço imediatamente.

— Obrigado, minha princesa. - Ficamos abraçados por mais um tempo, só respirando fundo, como se estivesse tentando acreditar que aquilo era real.

Quando se afastou um pouco, seus olhos estavam cheios de lágrimas.

— Eu tô muito orgulhosa de você. - Aquela frase valeu mais do que qualquer medalha.

— Você sabe que eu só consegui chegar até aqui porque sempre tive vocês comigo, né? - Passei a mão no rosto dela.

— Eu sei... mas hoje é o seu dia. - Ela sorriu de lado.

— Nosso dia! - Ela balançou a cabeça, fingindo discordar.

— Não, pai. Hoje você realizou o sonho que tinha desde menino. Eu só tive a sorte de estar aqui pra ver. - Olhei para ela por alguns segundos.

Às vezes eu esquecia que ela já tinha dezesseis anos.
Ainda era minha menina, mas cada vez mais madura.

— Vem. - Segurei sua mão. — Quero te mostrar uma coisa. - Levei Letícia até onde a taça estava. Ela olhou para o troféu como se tivesse medo de chegar perto.

— Pode mesmo?

— Claro. - Coloquei a taça cuidadosamente nas mãos dela.

— Nossa... é mais pesada do que parece. - Ela segurou com delicadeza e deu uma risadinha.

— Eu também achei quando peguei pela primeira vez. - Ela passou os dedos pelo dourado da taça, admirando cada detalhe.

— Você sonhava com isso desde pequeno? - Assenti.

— Desde que comecei a jogar bola na rua. - Ela olhou novamente para o troféu.

— Então hoje eu vi um sonho acontecer. - Sorri.

— Viu, sim. - Ela devolveu a taça e me abraçou outra vez.

Dessa vez, sem falar nada. Não precisava.

Alguns fotógrafos se aproximaram.

— Gavi! Uma foto com sua filha! - Nós dois olhamos para a câmera.

Ela passou um braço pela minha cintura, e eu apoiei o braço sobre seus ombros.

Flash. Outro. Mais um.

— Agora uma selfie. - Depois ela pegou o celular.

— Mais uma?

— Pai, é a Copa do Mundo. Hoje pode. - Ri.

— Tá bom. - Ela levantou o celular.

— Sorri. - Tirei uma careta de propósito.

Ela olhou a foto e começou a rir.

— Você estragou!

— Ficou ótima. - Ela deu um leve empurrão no meu braço.

— Você faz isso só pra me irritar.

— Funciona.

— Muito.

Acabamos tirando mais umas dez fotos.

Enquanto caminhávamos pelo gramado, ela olhava para a torcida que ainda cantava.

— Deve ser uma sensação incrível jogar aqui...

Olhei ao redor. As arquibancadas iluminadas, as bandeiras, os gritos, a medalha no peito.

Depois olhei para minha filha caminhando ao meu lado. Sorri.

— É incrível... - Fiz uma pequena pausa. — Mas dividir esse momento com você conseguiu deixar tudo ainda melhor.
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⏰ Última atualização: Aug 07 ⏰

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