1.4.5 | Pedri • Final da copa.

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• Leticia Gonzalez, 16 anos

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• Leticia Gonzalez, 16 anos.
• Final da copa.
• @Leticia_jp25
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LETICIA GONZALES

Eu nunca tinha visto meu pai tão nervoso.

Não era um jogo qualquer, era a final da Copa do Mundo de 2026.

Espanha x Argentina.

O estádio inteiro parecia tremer. Mesmo da arquibancada, dava para sentir a tensão dos jogadores.

Minha avó Rosy apertava minha mão de um lado, enquanto meu tio Fernando estava do outro, completamente inquieto.

— Eu não consigo nem ficar sentado. — ele levantava a cada cinco minutos. Eu ri baixinho.

— Tio, o jogo nem começou direito. - Olhei para o gramado.

Meu pai estava na fila durante o hino, com a mão no peito. Mesmo de longe, eu conhecia aquela expressão, ele parecia totalmente concentrado.

Quando nossos olhos se encontraram por alguns segundos, ele sorriu discretamente e fez um coraçãozinho com as mãos. Sorri de volta e fiz o mesmo.

Depois o árbitro apitou.

E os noventa minutos mais longos da minha vida começaram. A cada lance eu ficava mais nervosa.
Toda vez que meu pai pegava na bola, eu prendia a respiração.

Toda dividida, carrinho, passe. Parecia que eu estava jogando junto.

No começo do segundo tempo, a Espanha fez um gol e a arquibancada explodiu.

— VAMOOOOS! - Eu pulei da cadeira junto com todo mundo. Meu tio praticamente me levantou no colo de tanta felicidade.

Meu pai correu para comemorar com o resto do time. Mesmo de longe, dava para ver o sorriso enorme dele.

Mas o jogo ainda não tinha acabado.

Os minutos finais pareciam não passar.
Faltando poucos minutos para terminar, ame eu morria de medo em qualquer lance da Argentina.

Quando o apito final soou, o estádio veio abaixo. Eu só conseguia gritar e nem lembrava do que estava falando. Só chorava e abraçava quem estivesse perto.

— Ele conseguiu... - Minha vó repetia isso sem parar.

Olhei novamente para o campo e vi meu pai de joelhos no gramado, levando as mãos ao rosto.

Naquele momento, percebi que ele também estava chorando. Eu nunca tinha visto meu pai daquele jeito.

A Espanha era campeã do mundo!

Assim que liberaram a entrada dos familiares, comecei a correr em direção ao gramado. Nem ouvi minha avó me chamando, só queria encontrar meu pai.

Quando coloquei os pés no campo, vi jogadores correndo para todos os lados.

Alguns choravam, outros pulavam. As famílias já começavam a entrar.

Fiquei procurando meu pai no meio daquela bagunça.

Até que ouvi alguém gritar.

— LETI! - Olhei para trás e vi meu pai me chamando.

Completamente suado, uma medalha pendurada no pescoço e os olhos vermelhos de tanto chorar.

Corri sem pensar duas vezes e ele fez o mesmo.
Quando nos encontramos, praticamente pulei no colo dele. Ele me segurou com força e começou a rir enquanto tentava equilibrar nós dois.

— Você tá pesada!

— Mentiroso! - Ele me abraçou ainda mais forte.

Ficamos alguns segundos sem falar nada. Só abraçados.

— Nós conseguimos... - Olhei para ele.

— Você conseguiu, pai! - Ele balançou a cabeça.

— Não, Nós conseguimos. Você sabe quantas vezes eu ligava de concentração e você dizia: "Vai dar certo, pai." - Comecei a sorrir.

— Porque eu sabia que ia. - Ele passou a mão no meu cabelo.

— Você sempre acreditou em mim, Nos dias bons, nos ruins, nas lesões, nas eliminações. Então esse momento também é seu. - Senti meus olhos encherem de lágrimas outra vez.

— Tenho muito orgulho de você. - Eu disse e ele sorriu daquele jeitinho tímido que eu conhecia.

— E eu tenho muito orgulho de ser seu pai.

— Pedri! Aqui! - Alguns fotógrafos começaram a chamar por ele.

Ele olhou para mim.

— Vamos? - Assenti.

Ele passou um braço pelos meus ombros. Tiramos várias fotos juntos. Em uma delas, ele colocou a medalha no meu pescoço.

— Pode ficar pra você. - Olhei surpresa.

— Sério? - Ele riu.

— Você merece também. - Segurei a medalha com cuidado.

Era mais pesada do que eu imaginava. Fiquei olhando para ela por alguns segundos.

— Você é campeão do mundo... - Ele sorriu.

— Ainda tô tentando acreditar.

Enquanto caminhávamos pelo gramado, vários jogadores passaram comemorando.
Alguns abraçavam meu pai e me cumprimentavam.

Todo mundo estava sorrindo, a felicidade parecia contagiante.

Meu pai pegou uma bandeira da Espanha que estava no chão e colocou sobre nossos ombros.

— Vem. - Começamos a andar pelo campo juntos.

Sem pressa, só observando aquele momento.

— Você realizou seu maior sonho? - Perguntei. Ele ficou alguns segundos pensando.

— Um deles. - Então respondeu baixinho.

— Um deles? - Franzi a testa.

— O outro era viver tudo isso sabendo que você estava aqui para ver. - Não consegui responder.
Só abracei o braço dele enquanto continuávamos caminhando pelo gramado.

Naquele momento, entendi que, pra mim, aquela Copa não seria lembrada apenas porque a Espanha foi campeã.

Seria lembrada porque eu tive a chance de ver meu pai realizar um sonho... e de estar ao lado dele exatamente quando ele aconteceu.
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• 𝘿𝘼𝙐𝙂𝙃𝙏𝙀𝙍 𝙊𝙁 𝙋𝙇𝘼𝙔𝙀𝙍𝙎. - 𝙄𝙢𝙖𝙜𝙞𝙣𝙚'𝙨.Histórias para pegar e não largar. Descubra agora