1.3.6 | Pedri • Cólica.

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• Cólica

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Cólica.
• Pedro Gonzalez.
• Letícia Gonzalez, 3 meses.
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PEDRI GONZALEZ.

O relógio marcava 03:17 da manhã.
Eu já não lembrava a última vez que tinha dormido mais de duas horas seguidas, mas ali estava eu... em pé no meio do quarto, com a Letícia no colo, andando de um lado pro outro como se fosse um ritual sagrado.

- Shhh... shhh... tá tudo bem, meu amor... - eu sussurrava, mesmo sabendo que ela não entendia nada. Mas eu falava. Porque falar com ela me acalmava.

A Letícia tava vermelhinha, com o rostinho todo contraído, chorando daquele jeitinho que parte o coração. Ele tava com cólica. De novo.

Eu encostei a testa na dela por um segundo, fechando os olhos.

- Calma, princesa... já vai passar. - falei baixinho.

Ela se mexeu nos meus braços, chorando mais forte, e eu senti o peito apertar.
Nunca imaginei que fosse doer tanto ver alguém tão pequeno sofrer.

Ajeitei ela com cuidado, barriga com barriga, como a médica tinha ensinado, e comecei a andar pela casa devagar, balançando de leve.

- Papai tá aqui... - murmurei - não vou sair, prometo...

A casa tava em silêncio. Luz baixa. Todo mundo dormindo. Menos eu e ela.
E, sinceramente? Eu nem ligava de ter que ficar acordado.

Eu passava a mãozinha dela pelo meu dedo, e ela segurava com aquela força minúscula, como se dependesse disso pra viver.

Ela deu um chorinho mais manhoso, e eu automaticamente colei ela mais no peito.

- Eu sei, eu sei... tá doendo... - falei, quase em súplica - aguenta só mais um pouquinho, tá? Papai tá aqui...

Andei até a janela, olhando a cidade lá embaixo, tudo quieto, tudo escuro... e eu ali, com a minha maior vitória no colo.

- Você sabe que eu nunca fui bom com isso... - confessei baixinho - futebol eu sei... agora ser pai... eu tô aprendendo com você.

Ela se mexeu, chorando mais baixo, e eu senti um alívio instantâneo.

Beijei a cabecinha dela com cuidado, sentindo aquele cheirinho de bebê que dá vontade de chorar.

- Eu prometo que vou te proteger... - minha voz falhou - de tudo... de todo mundo... até de mim, se precisar...

Ela abriu a boquinha, fez um biquinho e chorou fraquinho, quase como um resmungo. Eu sorri cansado.

- É... eu sei... a vida já começou difícil, né? - murmurei - mas eu tô aqui, filha... sempre vou estar...

Sentei no sofá, ainda balançando ela, e comecei a cantar bem baixinho, mesmo desafinado:

- Tá... isso tá horrível, mas você finge que é bonito, tá?

Ela finalmente começou a se acalmar, os olhinhos fechando devagar, a respiração ficando mais tranquila. Eu quase não me mexi. Nem respirei direito.

- Isso... - sussurrei, emocionado - dorme, meu amor... descansa...

Quando percebi que ela tinha pegado no sono, senti os olhos arderem.
Porque era cansativo. Era difícil. Era assustador.

Mas era a coisa mais linda que já tinha acontecido comigo.

Apertei ela de leve contra o peito e fechei os olhos por um segundo.

- Eu te amo, minha pequena... - falei baixinho - Mais do que qualquer gol... mais do que qualquer título... mais do que tudo...

E ali, com ela dormindo no meu colo, cólica esquecida por alguns minutos...
eu tive certeza de uma coisa: eu podia até não ser perfeito, mas como pai... eu ia dar tudo de mim.
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• Pedri Gonzalez.
• Letícia Gonzalez.

• 𝘿𝘼𝙐𝙂𝙃𝙏𝙀𝙍 𝙊𝙁 𝙋𝙇𝘼𝙔𝙀𝙍𝙎. - 𝙄𝙢𝙖𝙜𝙞𝙣𝙚'𝙨.Histórias para pegar e não largar. Descubra agora