O som da torcida, os gritos dos companheiros, o barulho das câmeras, tudo ficou distante.
A única coisa que eu conseguia sentir era o coração batendo forte no peito e o peso da história me envolvendo.
O Brasil era hexa. E o gol do título... tinha sido meu.
Caí de joelhos no gramado, as lágrimas vieram sem eu nem tentar segurar. Pensei em tudo o que vivi até ali - as críticas, os treinos, as lesões, os dias longe de casa. Mas, principalmente, pensei nela.
Minha filha.
Aquela que, com só três aninhos, já conseguia mudar o meu mundo com um sorriso.
Levantei o olhar e comecei a procurar nas arquibancadas. O estádio inteiro era um mar verde e amarelo, mas eu sabia exatamente onde ela estaria. E quando vi, foi como se tudo ficasse em câmera lenta.
Lá estava ela, com o rostinho pintado com as cores do Brasil, o cabelo preso com lacinhos e o sorriso mais lindo que eu já vi.
- Papaiii! - ouvi a vozinha dela, mesmo com todo o barulho ao redor.
Senti as pernas se moverem sozinhas. Corri até o alambrado, e assim que a segurança abriu passagem, eu a peguei nos braços. Ela me olhou com aqueles olhinhos cheios de brilho e disse baixinho:
- Você ganhou, papai! - Não aguentei. As lágrimas voltaram, e eu só consegui abraçá-la com força.
- Ganhei, meu amor... mas esse título é nosso. Você é meu maior troféu.
Ela passou a mãozinha no meu rosto, como se quisesse limpar o suor e o choro, e sorriu.
- Você é o melhor.
Naquele instante, nenhum estádio, nenhuma taça, nenhum prêmio no mundo inteiro poderia se comparar ao que eu sentia. Eu a ergui nos ombros, e ela começou a gritar com toda a força que tinha:
- É heeexa! É heeexa!
As luzes, os fogos, os gritos da torcida... tudo se misturava. Mas, pra mim, o som mais bonito era o dela - a minha pequena, rindo e batendo palminhas.
E ali, no meio da festa, eu percebi: O verdadeiro título da minha vida já estava nos meus braços. ____________________________________________
Ops! Esta imagem não segue nossas diretrizes de conteúdo. Para continuar a publicação, tente removê-la ou carregar outra.