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• Guarda total. • Vinícius Junior. • mariaperfeitadiva ---- • Gente, respondam a enquete que eu deixei no final, por favor 💕 ____________________________________________
VINÍCIUS JUNIOR.
Eu aprendi a acordar antes do despertador. Não por disciplina, nem por rotina de treino. Mas porque, desde que ela veio morar comigo, meu sono nunca mais foi o mesmo. Ele ficou leve. Qualquer barulho diferente, qualquer suspiro fora do ritmo, eu já acordo.
Escuto o choro de Isabella vindo do quarto, aquele choro que eu sei que não é birra, é medo. Medo de que ninguém esteja aqui quando ela acordar, já que sua fazia isso, com uma criança de 3 anos.
- Papai... - Escuto Isa me chamando e me levanto na hora.
Quando entrei no quarto, ela estava sentada na cama, abraçando o ursinho velho que - já devia ter sido trocado a muito tempo - trouxe na mala no dia em que veio pra minha casa.
Ela demorou um pouco pra se soltar. Sempre demora. Como se o corpo dela ainda estivesse aprendendo que agora alguém vem quando ela chama. Peguei ela no colo e senti o coraçãozinho acelerado demais pra uma criança de três anos.
No começo, isso me destruía. Porque criança não nasce assim.
Na cozinha, coloquei ela sentada na bancada. Enquanto eu preparava o café, ela ficou me observando em silêncio, como se tivesse medo de eu desaparecer se tirasse os olhos de mim.
- Papai... você vai ir me buscar hoje? - perguntou, quase sussurrando.
Parecia uma pergunta simples. Mas eu sabia de onde vinha.
Respirei fundo.
- Vou, filha. - falei, olhando direto nos olhos dela. - Assim que der o horário, eu vou estar lá.
Ela assentiu devagar. Como quem ainda está testando se aquilo é verdade.
Quando a guarda ficou comigo, todo mundo falou da minha carreira, da agenda cheia, da responsabilidade. Ninguém falou do que ela já tinha vivido. Das vezes em que chorou sozinha. Dos dias em que foi esquecida. Da mãe que deveria cuidar, mas preferia desaparecer, gritar, ou simplesmente não estar.
Eu vi os relatórios. Ouvi coisas que nenhuma criança deveria viver. E engoli a raiva pra poder ser forte por ela.
- Come tudo, tá? - falei, empurrando o pratinho pra perto.
Ela comeu devagar, como se ainda não tivesse certeza de que teria comida depois.
[...]
Arrumei o cabelo dela, tentando ajeitar o lacinho torto. Ela fez careta e riu - uma risada leve, diferente daquela que eu vi nos primeiros dias aqui. Uma risada que só aparece quando a criança começa a se sentir segura.
Antes de sair, me agachei na frente dela.
- Você não precisa ter medo aqui - falei sério. - Ninguém vai te deixar sozinha. Nunca mais.
Ela me olhou com aqueles olhos grandes, cheios de coisas que ela ainda não sabe explicar.
- A mamãe gritou comigo, antes de me deixar aqui. - disse do nada e meu coração apertou.
- Aqui ninguém grita com você, tá bom? - respondi, mantendo a voz firme. - Aqui a gente cuida.
Ela se aproximou e me abraçou forte, como se estivesse se protegendo do passado no meu peito.
- Te amo, papai. - E naquele momento eu tive certeza: eu não ganhei só a guarda dela. Eu ganhei a missão de ensinar que amor não machuca, não abandona e não faz a gente ter medo de dormir.
E por ela... eu faria tudo de novo. ____________________________________________
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