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• Acidente. pt2 • Pedro Gonzalez. •Leticia_jp25 ___________________________________________
PEDRI GONZALEZ.
Aquele quarto de hospital parecia pequeno demais pra tudo que eu sentia. O som das máquinas, o cheiro de álcool, as cortinas brancas... nada combinava com o sorriso da minha filha. Ela sempre enchia a casa de vida, de risadas, de bagunça, e agora estava ali, tão quietinha.
Passei a mão com cuidado pelos fios de cabelo dela, afastando um do rosto. A enfermeira me disse que o pior já tinha passado, que ela só precisava descansar. Mas o medo ainda apertava o peito. Ver minha menina ali, ligada a fios e curativos, era algo que eu nunca imaginei viver.
Sentei na cadeira ao lado da cama, e fiquei observando cada respiração dela. Cada vez que o monitor apitava, eu me mexia, atento, sem conseguir relaxar.
Horas depois, ela se mexeu, abrindo os olhos devagar. Olhou pra mim e sorriu daquele jeitinho que sempre derretia meu coração.
- Você ficou aqui o tempo todo? - perguntou, a voz ainda fraquinha.
- Claro que fiquei. Não ia sair daqui nem que me tirassem à força.
Ela riu baixinho, e foi o som mais bonito que eu já ouvi. Peguei a mão dela e prometi de novo, olhando nos olhos:
- Nada é mais importante que você, Leti. Nenhum treino, nenhum jogo. Você é meu gol mais bonito, meu troféu da vida.
As lágrimas vieram, mas dessa vez eram de alívio. Ela apertou minha mão de volta, e ficamos assim, em silêncio. O mundo lá fora podia esperar, porque, naquele momento, tudo que importava era estar ali, vendo minha filha respirar tranquila outra vez.
[...]
Dois dias depois, o quarto do hospital já parecia mais alegre. Letícia estava de pijama colorido, com um curativo pequeno na testa e um sorriso teimoso no rosto - aquele sorriso que nenhuma dor conseguia apagar.
- Papai, dá pra ir embora hoje, né? - ela perguntou, com aquele olhar pidão que sempre me desmontava.
- Dá sim, minha campeã. O médico acabou de liberar.
Ela soltou um gritinho de alegria e tentou levantar sozinha, mas eu fui mais rápido.
- Ei, calma aí, mocinha. Deixa o motorista oficial cuidar disso. - falei, ajudando ela a descer.
Ela riu, encostando a cabeça no meu ombro. Saímos do hospital devagar, e cada passo parecia mais leve. O sol batia no rosto dela, e eu só conseguia agradecer por tê-la ali, viva, me chamando de "pai" com aquele jeitinho doce.
No carro, ela olhava a paisagem pela janela e falou baixinho:
- Achei que você ia perder o treino por minha culpa - Olhei pra ela e sorri.
- Perder treino? Eu trocaria mil jogos só pra te ver sorrir assim, Leti. O futebol pode esperar. Você, não.
Ela ficou em silêncio por um segundo, e então disse:
- Você é o melhor pai do mundo.
E naquele instante, percebi que não precisava de estádio cheio nem de troféu pra me sentir vitorioso. O que eu tinha ali - aquele abraço apertado, aquele sorriso sincero - era o maior prêmio que eu poderia ganhar.
Quando chegamos em casa, ela correu direto pro quarto, abraçou o ursinho que sempre dormia com ela e gritou:
- Tô em casaaaa!
Sorri, encostado na porta, com os olhos marejados. E pela primeira vez em dias, meu coração descansou. ____________________________________________
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