Hoje, o dia tava lindo, um sol do caramba. Mas tinha que ter algo, né.
Minha filha, Anna, acordou emburrada hoje, como todo pré-adolecente que odeio acordar cedo e ir pra escola. Mas quando ela voltou, não precisou de muito para entender o porque dela estar emburrada.
[...]
Escuto a porta da sala bater e, pelo horário, deve ser Anna que voltou da escola. Vejo sua mochila jogada no chão e ela toda encolhida no sofá, com os olhos cheios de água.
- Cólica? - Pergunto calmo. Já conheço esse jeitinho dela. Anna só concorda com a cabeça, se encolhendo mais. - Tá doendo muito? Quer remédio?
- Já tomei na escola, mas não passou. - Ela diz baixinho. - E eu tô com frio.
Subi correndo as escadas para pegar seu cobertor favorito. Apesar da idade, ela ama essa coberta de unicórnio. Volto para a sala e enrola Anna na coberta.
Enquanto ela se ajeitava na sala, eu vou para a cozinha pegar um bolsa de água morna e fazer um chá.
- Ei, ei...- Quando volto, vejo anna se segurando para não chorar. Me sento ao seu lado e a abraço. - Não precisa segurar, tá? Eu sei que dói, meu amor. Pode chorar.
- É muito injusto...Só as meninas tem isso. - Ela diz chorando, me fazendo rir.
- É verdade, mas sabe o porquê? - Ela nega. - Por que vocês, meninas, são mais fortes que os homens. - Termino e Anna me olha com os olhinhos brilhando.
- É verdade. - Rio com a sua fala. - Mas eu ainda quero ficar no seu colo.
Coloco a bolsa na sua barriga e começo a fazer carinho em seu cabelo. Isso a deixava calma quando era bebê, acho que funciona até hoje.
- Pai... Quando você sentia dor, você ficava assim com a sua mãe? - Ela me pergunto, quase dormindo.
- Claro. Quando eu estava com dor, minha mãe fazia chá pra mim e ficava do meu lado. Assim como eu estou agora.
- Você ficava no colo dela.
- Sempre. Até hoje, que eu estou grandão. - Luna deu uma risadinha.
- Eu gosto quando você cuida de mim assim, papai. - Ela diz se aconchegando mais em mim. Eu abro um sorriso enorme com a sua fala.
- E eu gosto de coisa de você, filha. Quando está feliz, triste, brava ou com cólica.
Nós rimos um pouco e voltamos a assistir o desenho que passa na TV. Ali, com o amor da minha, eu vi que sem ela eu não seria nada. A ver sorrir é minha maior conquista. ____________________________________________
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