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• Doente. • Lívia Pulgar, 16 anos. • sasassecrets ____________________________________________
LÍVIA PULGAR.
Eu já não estava bem fazia dias. Não era só cansaço, nem só dor de cabeça. Era aquele mal-estar chato que vai ficando, que você finge que não existe até não dar mais pra ignorar.
Mas pro meu pai, eu agia normal, eu ria, conversava, fingia que estava tudo normal. Meu pai já tinha treino demais, preocupação demais. O Flamengo ficou bem ocupado esse ano.
Só que meu corpo foi cobrando.
Hoje, cheguei da escola e larguei a mochila no chão do quarto. Nem subi direito na cama. Sentei na cadeira da escrivaninha pra estudar, mas encostei a cabeça nos braços e pensei: só cinco minutos. Eu só precisava descansar um pouco.
Quando dei por mim, estava tudo escuro. Senti alguém encostar em mim e, antes mesmo de abrir os olhos, soube que era ele. O jeito cuidadoso, a mão quente na minha testa.
- Filha… - a voz dele saiu baixa, preocupada.
- pai? - Estranhei que ele já estava em casa essas horas, mas talvez eu tenha dormindo demais.
- Você tá ardendo em febre. - Ele franziu a testa na hora. - Desde quando você tá assim?
Pensei em mentir. Juro que pensei. Mas o jeito que ele me olhava não deixou.
- Já faz uns dias… - admiti, quase sem voz. Ele passou a mão pelo rosto, claramente chateado. Não bravo. Chateado.
- Por que você não me contou, Lívia?
- Porque você já tem coisa demais pra se preocupar… - falei baixo. - Eu achei que ia passar.
Ele não disse nada. Só me pegou no colo, com cuidado, como se eu ainda fosse pequena. Mesmo com dezesseis anos, eu me senti segura do mesmo jeito.
Me colocou na cama, ajeitou o cobertor, trouxe água, remédio, ficou indo e voltando do quarto como se tivesse medo de me deixar sozinha por dois minutos.
- Devia ter me contando, filha. Você é mais importante que qualquer treino ou jogo. - ele disse, sentado do meu lado.
- Desculpa… - Engoli em seco e segurei a mão dele.
- Não precisa pedir desculpas - respondeu na hora. - Só promete que não vai esconder mais nada.
Assenti com a cabeça. A febre ainda tava ali, o corpo doendo, mas parece que agora ficou mais leve.
Porque, no fim das contas, eu podia até fingir pro mundo inteiro. Mas pro meu pai, eu nunca precisei fingir nada. ____________________________________________
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