Desde que ela me disse que queria ir ao jogo, fiquei pensando em como o tempo passa rápido. Parece que foi ontem que eu a levava no colo pra assistir treinos, e agora ela já tem 13 anos - escolhendo roupa, reclamando do cabelo e me chamando de "velho".
De manhã, ela apareceu na sala com a camisa do meu time, o nome "Pulgar" nas costas e um sorriso que me desmontou.
- Assim tá bom pra ir? - perguntou.
- Tá perfeita, igual sempre - respondi, tentando disfarçar o orgulho.
[...]
No carro, ela não parava de falar. Cantava, fazia perguntas sobre o jogo, e ria alto das minhas respostas sérias. Às vezes olhava pelo retrovisor e via aquele brilho nos olhos dela - o mesmo que eu tinha quando comecei a jogar.
Chegamos ao estádio, e o barulho da torcida tomou conta de tudo. Enquanto eu andava em direção ao vestiário, ela ficou nas arquibancadas, acenando pra mim. Eu ainda consegui ver o casaco dela balançando e o sorriso largo no rosto.
Durante o jogo, cada toque na bola parecia diferente. Saber que ela tava ali me olhando me deu força. Quando marquei o gol, nem pensei: olhei pra arquibancada e apontei pra ela. Vi ela se levantar, gritar, bater palma. Foi o tipo de momento que nenhum título explica.
Depois do apito final, subi correndo pra arquibancada. Ela veio me abraçar, ofegante e com os olhos brilhando.
- Pai, foi o melhor dia da minha vida! - disse, apertando meu pescoço.
Eu ri, sentindo o coração apertar. - O meu também, filha.
Naquele instante, percebi que o futebol me deu muita coisa. Mas nada, absolutamente nada, vale mais do que ver o orgulho dela por mim. ____________________________________________
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