Duas famílias.,
Duas mulheres grávidas.,
Duas crianças.,
Um menino.,
Uma menina.,
Uma única data.,
Uma única maternidade...
Duas crianças nascem,crescem,se conhecem,se apaixonam e descobrem um segredo:
Estão com as famílias trocadas.
O que será que...
Quando abro a porta, encontro o carro do Eduardo parado em frente à minha casa.
-Vamos?_ele diz, acenando para mim.
-Sim._respondo, beijando o rosto da minha mãe, que acaba de aparecer na porta.
Ele abre a porta do carro para mim, entro e fecho a porta do mesmo. Minha mãe continua na porta, dando tchau para nós. Mando um beijo para ela,e Eduardo acena se despedindo.
Permanecemos calados por alguns minutos dentro do carro, depois ele quebra o silêncio.
-Você está linda! Uma verdadeira gata._ele diz, passando o olhar por todo o meu corpo.
-Obrigada._respondo, um pouco constrangida.
-Já comeu comida francesa?_ele pergunta, sem desviar o olhar do volante.
-Não. Por que a pergunta?_falo, o encarando.
-Então, vou te levar a um restaurante francês maravilhoso._responde, sorrindo.
Fico calada, olhando as ruas pelo vidro do carro, observando as luzes da cidade.
Minutos depois, estamos parando em frente a um restaurante. Do lado de fora, não parece tão grande, mas dá para notar que é um ambiente refinado. Ele estaciona o carro, em seguida abre a porta para mim. Saio do automóvel e espero por Eduardo.
Entramos de mãos dadas, ficamos numa mesa próxima à parede, onde há um quadro, que para falar a verdade, não observei qual é a pintura. Eduardo puxa uma cadeira para mim.
-Primeiro as damas..._ele diz, esperando que eu seja a primeira a sentar.
Em seguida, ele senta de frente para mim.
-Você havia feito reserva?_pergunto, admirando o lugar.
-Sim. Sempre venho aqui._responde, todo sorridente.
-Jantar aqui, deve ser muito caro._falo, um pouco sem graça.
-Não se preocupe com isso! Eu te convidei, e quero que tenha o melhor jantar._ele coloca a mão sobre a minha.
O garçom vem até nós, entrega o cardápio e aguarda uma resposta.
-Vamos querer escargot e uma garrafa do melhor vinho._Eduardo responde, devolvendo o cardápio para ele. O garçom pede que aguardemos alguns instantes, e se retira.
-Jéssica, desculpa se eu fiz o pedido por você. Como você falou, que nunca comeu nada da culinária francesa, imaginei que não saberia o que escolher._ele diz, achando que vou ficar aborrecida.
-Não tem problema. Você tem toda razão, porque eu não saberia mesmo o que escolher._respondo, convencida de que embora ele esteja certo, talvez eu não goste da comida.
O garçom se aproxima, trazendo uma garrafa de vinho,e o jantar. Ele nos deseja "bom apetite", e sai.
-Eduardo coloca o vinho em ambas as taças, prova a bebida em um pequeno gole e espera que eu faça o mesmo. Levo a taça à boca, penso um pouco e provo o vinho.
Ele tira a tampa que está cobrindo a comida.
-Este é o nosso delicioso jantar!_percebo que ele quer rir, quando vê minha cara de nojo.
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-Edu, acho que não vou saber comer isto._fico corada de vergonha.
-Não há segredo! Você me observa, depois repete o que eu fizer.
Fico atenta a tudo que Eduardo faz, quando ele faz o sinal para mim, faço do jeito que o vi fazer. Tenho medo de que "voe" escargot para tudo quanto é lado, mas consigo comer sem passar vergonha.
-Viu como foi fácil?_ele sorri, vendo meu nervosismo.
-Eu consegui. Tive medo de te fazer passar vergonha._respondo, meio sem jeito.
-Eu não deixaria ninguém rir de você!_ele segura minha mão.
Nosso jantar está sendo muito divertido. Ele já me falou várias travessuras que fez quando era criança. Eu ainda não conhecia esse lado engraçado dele, acho que já implicamos tanto um com o outro, que não consegui enxergar as qualidades que ele possui.
-Gostou da comida?_pergunta, observando minha expressão,cada vez que provo o jantar.
-Vou ser sincera. Não é algo que eu gostaria de comer toda semana,mas não é tão ruim._respondo, provando mais um pouco.
-Vou pedir a sobremesa!_ele diz.
-Espero que não seja calango assado._brinco, sorrindo.
Ele sorri.
-Não se preocupe! Você vai gostar.
Ele chama o garçom, quando este se aproxima, ouço Eduardo pedir "mille feuille". O garçom se afasta e eu aproveito para acabar com a minha curiosidade.
-O que seria esse "mille feuille"?_arqueio a sobrancelha.
-É um bolo de origem francesa, feito com massa-folhada e recheado com um creme._Eduardo explica.
O garçom traz a sobremesa e sai. Provo o bolo e vejo Eduardo me encarando. Na certa, está querendo uma resposta.
-É divino! Fez uma boa escolha. Vai dar para tirar o gosto do escargot da boca._sorrio, vendo a reação dele.
Eduardo coloca a mão na boca, tentando prender a gargalhada que está querendo sair. É engraçado ver que a educação pode nos obrigar a ter determinado comportamento, mas não pode nos proibir de ser quem somos. Aposto que se o Edu não estivesse em um ambiente como este, já teria dado uma boa gargalhada.
Depois da sobremesa, ele paga a conta e deixamos o restaurante. Entramos no carro e seguimos em frente.
-Você gostou?_ele pergunta, olhando em meus olhos.
-Sim. Gostei muito!_retribuo o olhar.
-Próxima parada?_ele pergunta, olhando para minhas pernas.
Sei o que ele está pensando: "Levo ela para jantar, depois "janto" ela. Mas, não sou dessas.
-Eduardo, o que quer dizer com isso?
-Que eu tenho um apartamento. A gente pode..._corto sua fala.
-Próxima parada, é a minha casa._respondo, segura da minha decisão.
-Ok! Vou te levar para casa._ele parece decepcionado e ao mesmo tempo feliz.
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Bem safadinho esse Eduardo... Acho que ele queria "jantar", na hora do "almoço". Votem! Cometem! Beijos!!!