By The River Side

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Eu era jovem demais na primeira vez que conheci a morte, sequer sabia meu propósito, meus medos. Talvez todo mundo é jovem demais para a morte, não deve existir uma idade certa. Ninguém consegue se preparar para uma coisa assim... Mas eu não posso ignorar que é estranho. Te ver lendo isso desse jeito, tão curioso, tão... Vulnerável.

É tentador, no mínimo. Posso matar quem quiser nessa história, é o meu ponto de vista, nunca vai saber o que é verdadeiro ou não. Já não sabe tanta coisa de qualquer maneira, posso te fazer entender a sensação, mas ainda assim não seria caótico o suficiente. Não, eu procuro a perfeição, o grande ápice. Algo além de: "Ela passou pela porta, levou um tiro e morreu em cima da cama" e blá blá blá. É, com certeza isso é bastante surpreendente... E estupidamente injusto, e vamos concordar, eu não costumo ser assim.

Ainda está aí? Hum... Você tem lido a história desde o começo, desde o enterro o refúgio da casa na árvore dentro da floresta, a primeira tristeza profunda mostrada de maneira tão simples. A morte, viu tanto e sentiu tanto, um leitor cabeça dura e insistente em um final feliz, no mínimo. Não gosta de clichês, essa história não é assim e sabe disso, ou talvez esteve buscando uma mudança dos volumes que guarda por aí. De uma maneira ou de outra, eu quero te avisar de algo. Isso não tem um final feliz, não é um conto de fadas, o herói não derrota o vilão, porque não existe um herói e um vilão. Existe apenas o forte e o fraco, uma tacada de sorte... Jogue os dados, vivo ou morto. Simples.

Com o aviso da morte e os sussurros da despedida, disse bom dia, ao amanhecer de sol branco como o entardecer. E se alegrou na risada banhada em lágrimas da serenidade. Pronta para seguir a jornada além da curva de terra e suor, incerteza no profundo pensamento de onde passos levariam seu coração se não para casa.

Não desiste? Caramba, vai embora! Xô-xô-xô! Sai de mim! Não? Sério? Por que? Por que ainda está aqui? É irritante! Não, não, melhor! Qual o meu nome? Qual a minha identidade? Não me conhece, sequer sabe como aparento então por que continua lendo?

Quer saber? Deixa para lá... Hm? Não eu estou legal, e sim estou respondeu uma pergunta de mim para mim já que você nem perguntou nada. E se perguntou... Isso não é normal não.

A verdade é que eu te mandaria embora agora mesmo, acredite, mas... Eu gosto de você... Gosto da sua companhia. Você deve ser a única pessoa no mundo que está lendo isso agora e-HEY! Ow, wow pera lá, não tem nada de romantismo nisso, nada além da amizade. Com toda certeza, e eu não costumo ser muito gentil, é só que... A solidão me assusta...

Qual o seu nome? É, o seu... Você mesmo que está encarando uma tela, talvez até um pouco perto demais... Olha só isso, dizem que os olhos são o espelho da alma, mas no seu caso são um diagnóstico sério de vesguice. Sem brincadeira, com certeza tem um problema. Colocar o aparelho mais perto não vai te fazer entender toda essa bagunça, e afastar também não, acha que eu não te vi disfarçar? Nem olha para mim assim... Enfim, por que está aqui? Para onde vai quando tudo acabar? Não tem nada melhor para fazer? Vai ler um livro, passar todo esse tempo longe do mundo real não é nem um pouco saudável.

Você não vai embora mesmo, vai? ... Okay, então enquanto estiver por aqui eu quero que me faça uma coisa... É eu sei, não fui tão gentil quanto poderia, mas quando esse conto acabar, quando a última palavra for escrita e eu desaparecer, poderia por favor dizer o meu nome?... Eu não consigo me lembrar... Todo mundo tem um nome, uma identidade, mas eu não sei o meu. Por que? Nada disso é real? Como eu posso saber o que existe do que criei na minha cabeça?

FINITUSOnde histórias criam vida. Descubra agora