The Sixth On The Devils Plan

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Não éramos dois

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Não éramos dois. No meio dos gritos de dor nas chamas, as explosões e o caos da orla, era fácil pensar que estávamos em um número tão grande quanto os navios... Mas não. Nós éramos apenas seis. Cinco gerações de demônios acompanhados por alguém batizado com o nome de um, nós éramos o fogo, nós éramos o sangue. Raiva.

Sorrateiros como a Serpente, nós invadimos a frota Dothraki. Afiados como gelo, os gritos de desespero logo inundaram o ar na sinfonia mais fúnebre que eu jamais ouvi. Fortes como as entranhas da Terra, nossos inimigos foram dilacerados. E gloriosos como as asas da harpia, nós seguimos para o próximo alvo.

Deve ter sido semanas. Com febre ardendo na pele, morrendo dentro de um barco em ruínas, o motor parou em alto mar e nós fomos levados pela maré, deslizando no meio do nada por horas e horas, Azazel não tinha uma antena decente para contatar os outros e eu não podia me concentrar em nada além de vingança, as suas próprias capacidades ainda eram uma incógnita para sua mente, ele queria descer do barco e caminhar pelo fundo até encontrar algum lugar, queria tentar me salvar, mas me deixar sozinha era inviável.

O veneno ficou dentro do meu sistema por longos dias, eu perdi a conta de quantos, a desidratação, a fome, cavavam minha cova no interior do deck, com a luz do sol escorrendo por entre as frestas das tábuas velhas durante o dia e brilho suave da lua trazendo o frio durante a noite... Eu tive que fazer o que era preciso para sobreviver, me senti culpada quando meu corpo começou a mostrar sinais de recuperação as custas dos corpos que não foram atirados no mar, finalmente consegui levantar o escudo para expulsar a dor.

Eu tive vergonha, tive raiva e nojo por todo o caminho de volta a Dragonstone, mas quando finalmente chegamos eu tinha meu queixo erguido. Nada ocupava minha mente, e o sangue em minhas mãos havia se transformado em uma pintura de guerra, invocando outros a minha causa.

Na orla da outra ponta da ilha, uma nuvem densa piscando entre flashes de eletricidade carregada, gotas grossas e geladas escorrendo, trovões vibrando o deck de madeira velha sob meus pés momentos antes que fosse abandonado e eu mergulhasse para baixo com uma fome intensa por violência retumbando dentro do peito. Seis sombras, quatro delas saindo do interior do navio em que chegamos, se espalharam estrategicamente pelo mar tempestuoso, corpos pesados facilitando a resistência a maré. Subiram as âncoras e no momento que pisaram o deck, o próprio inferno parecia ter aberto suas portas para acolher os responsáveis.

A embarcação menor a bombordo da proa explodiu, o clarão na noite densa refletiu nas gotas de chuva gelada, uma tempestade concentrada castigando a longa tira de terra e grama no meio do oceano, a força da natureza parecia se unir ao meu humor completamente arruinado. Uma sombra passou em um rasante a minha direita, um grito desesperado, um estalo potente contra o casco enquanto caminhava para a cabine do capitão e silêncio. O vidro do posto de observação se partiu, dois corpos ensanguentados rolaram por cima da grade de proteção e viajaram para o deck, pelo menos dez metros abaixo. Adam passou para o lado de fora arrombando a porta e lhe jogou contra a submetralhadora prestes a ser usada na lateral da pista de pouso, o soldado inimigo perdeu equilíbrio e caiu por cima do cordão para fora da embarcação. Os outros dois atirando na escuridão palpável, os geradores fritaram segundos antes de tudo começar.

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