The Demon. The Death. The Dragon

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O céu era uma grande camada azul clara com nuvens densas acima do horizonte sem fim por todos os lados, nosso navio, o aeroporta-aviões antes da S.H.I.E.L.D. era um colosso em auto mar, o helicóptero que nos buscou no aeroporto a dois dias de viagem foi protegido no hangar debaixo do convés. Depois de pousarmos, horas e horas de ligações e mais ligações em aviso as crianças que já deveriam ter voltado do acampamento a essa altura, família em busca de notícias, o restante do esquadrão que não tivemos tempo de avisar pessoalmente e o tédio maçante que acompanha a política, tudo ficou quieto demais. O movimento das ondas era suave contra a proa, completamente diferente do balançar insistente da primeira noite, onde as ondas subiram para acima de dez metros e caiam no convés com a força monstruosa da natureza, tremendo o navio inteiro no seu poder, uma nevasca se misturando ao som das máquinas e estalar da água salgada e espuma na janela da cabine. Era assustador, e absurdamente lindo. Quando finalmente passamos da tempestade e fomos além da fronteira, tão temida e remarcada no mapa por cada cidadão experiente do oceano como mares perigosos, tudo se calou. As nuvens passaram deslizando acima do navio como se não tivéssemos quase afundado, as ondas foram lentamente diminuindo deixando apenas a umidade sobre o convéns enquanto a água escorria pelas aberturas do casco de volta para o mar. O sol veio tímido, aparecendo entre as brechas no céu antes cinza e a névoa foi soprada pelo vento. Agora havia apenas o mar, calmo e límpido, se unindo ao horizonte, sem terras, sem ilhas, apenas a imensidão.

Quando o medo cedeu e os instrumentos deixaram de apitar eu finalmente consegui checar o restante da pequena frota de escoltas, sem baixas, sem acidentes, a tensão remanescendo nas comunicações, aquela tempestade até mesmo podia se passar como teste.

No segundo dia, logo depois do sol ardente do meio dia e nosso almoço, nós fomos para a popa do navio para colocar o treinamento em dia. Clarke e eu quase não dormimos no meio das tarefas em auto mar, conferencias e, claro, nosso pequeno momento com a chama algum tempo atrás. Aquilo não se repetiu, mas pela maneira com que a história foi cortada pela metade, eu imaginava que não ia demorar até que acontecesse outra vez. Já passava das três quando recebemos o aviso de um dos homens do Capitão para a aproximação, nos deu uma estimativa de que chegaríamos ao pôr do sol, a tensão se elevou mais uma vez e nós decidimos continuar com o treinamento até que estivéssemos perto o suficiente para ter um motivo para se preocupar.

Echo e eu lutamos com bastões por exatos quinze minutos, a primeira a alcançar cinco pontos ganhava a disputa e dava espaço a outra dupla dentro do círculo amarelado do heliporto ao lado da pista, guerreiros passando curiosamente com olhos na fonte dos estalos da madeira maciça em estalos. Ela deixou uma entrada, acabou sendo forçada com o próprio bastão ao redor do pescoço e eu rapidamente a puxei por minha direita, Echo girou e caiu sobre o chão com um sopro dolorido, sorrindo grande quando meu bastão tocou seu tórax suavemente em uma provocação.

- Quatro pontos a zero... – Monty informou do lado de fora do círculo.

Bochechas rosadas sob o sol, roupas azul escuras como os escolhidos da delegação da Skaikru precisavam usar em eventos como aquele. Calças justas, coturnos lustrados com dois nós nos cadarços, o relógio inteligente refletindo o sol no rosto de Bellamy de vez em quando. Seu cabelo levemente curto nas laterais, mas ainda mantinha o ar jovial e levemente desinteressado por moda que o acompanhava, seu topetinho amassado, olhos estreitos para o tablet em sua mão atentamente. Tinha alguns pés de galinha acima das bochechas, uma ruga que sempre aparecia na testa quando estava concentrado demais ficou marcada na pele, mas de todos nós ele ainda se parecia com um adolescente, mesmo que tivesse sua própria família em Polis. Se Harper estivesse aqui ele nem mesmo teria pego o tablet na cabine do capitão pela manhã, seu cabelo estaria mais penteado e ele com certeza não teria feito a barba. Era um rebelde contra suas ordens apenas quando ela não estava por perto para dar um puxão em sua orelha e mandar que cuidasse mais da sua própria aparência e não esquecesse das fisgadas de seu pescoço, por olhar para baixo por tanto tempo.

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