C.45 - Sem estrutura

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ALEXANDRE

Estava terminando de organizar as coisas de Ísis e as minhas no carro, quando Apolo me chama e por seu semblante já sei que coisa boa não vem. Não que ele de cara amarrada seja lá uma novidade, mas a convivência me faz saber reconhecer quando ela está no limite do habitual e quando indica que algo está acontecendo. O segui até uma parte mais reservada, distante dos outros, onde Saulo e Selena já nos aguardavam.

-Fala, gostosa. – digo e Selena sorri de lado.

-Não começa, porra! – Apolo responde

-Calma, polinho. – peço piscando para ele que bufa para mim

-Se eu der um soco no meio da sua cara eu fico calmo. Pede de novo. – diz e Saulo sorri

-Sem violência, amor – respondo erguendo os braços em rendição e ele balança a cabeça negativamente.

-Alexandre – fala já mais sério e então o encaro da mesma forma. – Preciso que me responda com sinceridade. Você está realmente bem? – pergunta

-Sim, estou. – respondo com segurança.

-Ótimo, é bom que esteja, porque não venho com boas notícias. – ele diz e então assinto – Recebi uma ligação ontem de um conhecido da polícia que está encarregado do caso do último atentado contra Ísis na estrada. Ele me informou que depois daquela boa e velha pressionada, um dos menores cedeu e revelou que eles trabalhavam para o homem que estava com eles, que pagava uma porcentagem para eles por “serviço” e nem preciso falar da confusão burocrática que está com as famílias por responsabilização...

Ele diz e assinto entendendo bem a dimensão do problema judicial que isso envolve.

-Segundo o interrogatório do garoto, ele disse que eles receberam ordens para apenas dar um susto nela e depois larga-la na estrada, que tinham liberdade para machucá-la, mas não para...

-Para matar. – completo sentindo o nó de raiva na garganta só em imaginar algo acontecendo com ela...

-Isso.

-E o mandante? – Saulo tira a pergunta da minha boca.

-Esse é o X da questão. O menor que começou a falar, disse que eles não tinham autorização para participar das “negociações”, ou seja, eles nunca sabiam para quem estavam trabalhando, apenas faziam o que era pedido e ele não tinha ideia de quem havia ordenado e pagado pelo ataque. O homem, que comandava os garotos é experiente e não abriu o bico por nada, mas a cartada foi o outro garoto, aquele mais calado, depois de algum tempo ele decidiu conversar com os policiais e disse que tinha a curiosidade para ficar olhando pela frecha da porta e também fez isso da última vez. Ele não soube identificar por nome, mas mandaram o desenhista e fizeram o retrato falado que acabei de conseguir. – diz pegando o celular – Reconhece? – pergunta me entregando o aparelho e sinto a raiva ferver meu sangue com a imagem.

-Inacreditável... – diz Saulo balançando a cabeça negativamente ao olhar para o aparelho na minha mão.

-Que filha da puta! – Selena xinga

-Infeliz... Eu quero essa desgraçada presa! – digo praticamente entre os dentes, enquanto devolvo o celular para Apolo.

-A ordem de prisão já foi emitida, a essa hora já devem estar a caminho do apartamento dela para isso. – Apolo diz

-Essa mulher é louca! – Selena fala em tom indignado

-Não, Renata não é louca, ela é criminosa e calculista. – falo - Como eu desconfiaria de alguém que estava na minha frente, falando comigo, no momento do ataque e que se manteve longe do local o tempo inteiro?! – indago

ALEXANDRE FERRARI IIOnde histórias criam vida. Descubra agora