M E B E I J A

80 12 0
                                        

— Você está indo bem.
— Diz isso porque ainda não pisei no seu pé.

A música estava quase no fim, e nós não tínhamos assunto. O silêncio da noite deixava o clima mais bonito, porém, eu não consegui evitar, de imaginar o que Lowis estaria fazendo, e o porquê do "espero que um dia possa me perdoar, eu te amo" porque ele fora tão vago.

— Está tudo bem?
— Está.
— Eu gosto de silêncio, mas o seu me deixa apavorado.
— Por quê?
— Você é cheia dos porquês.
— É que eu preciso de explicações, as pessoas costumam serem muito vagas.
—  Isso é um problema?
— Não em você.

Nós paramos de dançar e começamos nos flertar.
— Eu preciso descansar. — eu disse sentando na cama que seria minha e ele sentou na outra, ficando de frente pra mim.

Nossas mãos ficaram esticadas para frente, o que causou um pequena crise de risos.

— Pode olhar para o outro lado? tenho que me trocar.
— Posso tentar. — Ele disse quase soletrando.

Ele que estava sentado na cama, virou o rosto totalmente para trás, e eu me levantei.
Devagar, e com muito esforço, tirei minha jaqueta. A mão dele acompanhava o movimento da minha, por estarem grudadas, e isso me deixou um pouco arrepiada. Quando eu fui tirar o meu sutiã, a costa da sua mão, passou na minha pele causando um frio na barriga.

Eu estava com o intuito de vestir minha única camiseta que eu havia levado pra dormir, mas, nossos corpos não resistiram.

Eu podia escutar sua respiração forte, e um desejo me tomou. Eu tentei resistir, mas enquanto eu ainda estava sem a roupa de cima, ele virou.

Me olhando e desejando fortemente ele mordeu o lábio inferior. O olhar dele correu todo meu corpo, parando na minha pele descoberta, fazendo ele se levantar também.

— Me beija. — Ele pediu levando uma mão até minha nunca, pegando uma boa quantidade de cabelo, e segurando firme.
— Pieter eu na...

Sua boca chegou até a minha, devagar e em movimentos lentos ele começou a me beijar. Ele mordia meu lábio no final de um beijo longo, e me encostava mais a ele.

Pieter me colocou em sua cama, erguendo minhas mãos pra cima da cabeça, colocando as dele sobre elas causando uma sensação de poder.
Ajudei-o tirar sua jaqueta e no mesmo instante a sua camisa.
Eu tentei retribuir o beijo com mais vontade, e ele começou beijar meu pescoço enquanto eu respirava ofegante. A sua mão livre, desceu até minha calça, e eu senti meu zíper sendo aberto lentamente.

— Ei. — Me afastei.
— Desculpe, eu só...
— Eu sei, é que, eu só não acho que é a hora sabe.
— Ele saiu de cima de mim, e eu me afastei, me tapando com sua camisa.
— Desculpe por isso.
— Eu também queria, mas, não aqui e assim, sabe.
— Ele sorriu pra mim. — Eu compreendo.

Ele ajudou a me vestir, e fomos deitar, cada um em sua cama, porém com os braços esticados.

— Não que seja uma indireta mas, eu passaria a noite inteira te beijando.
— Ele colocou o dedinho no meu, como se fossemos fazer uma promessa.
— É uma ótima oportunidade.
— Você está falando sério?
Ele sentou na cama. Eu me levantei e fui até ele.
Cheguei o mais perto possível da sua boca e sussurei;
— Não.
— Que pena. — Ele sussurou de volta, chegando mais perto.
Eu dei um longo suspiro, sua boca estava perto demais, eu tomei a inciativa.

Encostei nossos lábios novamente e passei minha perna direta para o outro lado, ficando sentada perfeitamente em seu colo.

— Espera.  — Eu sai do colo dele, e sentei na cama.
— O que houve?
— Eu só...
— Está lembrando dele não é?
— Não, eu...
— Carrie, está tudo bem.
— Não está, eu quero beijar você, quero mesmo. Mas...
— Sem mas, por favor. Eu quero você. Muito. Só não quero que fique comigo querendo estar com outra pessoa.
— Ok.
Eu disse baixo e voltei pra minha cama.

Você sempre tem que estragar tudo não é mesmo?

Foi uma noite longa, como todas as outras, só que dessa vez, Pieter estava alí, e quando ele segurava minha mão, eu me sentia mais leve, pacífica. Mais longe de enlouquecer.

— Carrie?
— Oi?
— Desculpa.
— Pelo que? por eu ter ido te beijar e depois surtar?
— Ele riu.
— Não. Por eu ter beijado você sem perguntar se queria, se estava tudo bem quanto a isso.
— Tudo bem.
— Droga! não era pra aceitar minhas desculpas, eu me sinto mal agora.
— Por que?
— Não foi uma desculpa sincera, pois se eu pudesse voltar no tempo, faria exatamente a mesma coisa.

Minhas MarésOnde histórias criam vida. Descubra agora